Marrais é o bairro da moda e turma LGBT local onde viveu Victor Hugo
Tasso Franco , Paris |
07/07/2022 às 05:19
A praça com o casario em tijolos vermelhos, arcadas e gramado
Foto: BJÁ
Há quem considere o Marais (Marré, em francês) como o bairro mais charmoso de Paris. Não é unanimidade. É visto, no entanto, como o mais descolado onde reside - em parte - a comunidade LGBT em suas ruas medievais tortas e construções antigas dos séculos XVII e XVIII.
São lugares cheios de bares, restaurantes, hotéis, boutiques de alta e baixa costura, padarias, joalherias, lojas de vinhos, galerias de arte e museus; tudo espremido em uma pequena área cujo coração é a Praça Vosges, situada entre o 3° e 4° arrondissement (distritos). Estão neste bairro o Centro de Cultura Georges Pompidou e o Le Hales - shopping subterrâneo.
Pode começar sua visita saltando na estação Hotel de Ville, que é 1ª linha do bairro. Daí, um pulo até a Rue Rivoli - considerada uma das mais elegantes da ville - e seguir pelas Francois Miron ou a rue du Roi de Sicile. O bairro tem sido referência em moda há 20 anos na França. Então, entrar nas lojas é essencial para comprar ou olhar. E são centenas em todo o bairro. Provavelmente, milhares.
A casa do escritor Victor Hugo localiza-se na Place des Vosges,6 (a praça planejada mais antiga da cidade), hoje, um museu sobre a vida do escritor; alguns itens da casa foram reconstituídos e os objetos pessoais foram doados pela família do autor da obra “Os Miseráveis”.
Vosges se situa no coração do Marais, próxima das estações de metro Saint-Paul e Chemin Vert, classificada como Monumento Histórico.
As construções em volta da praça são simétricas e parecem um só edificio com tijolos vermelhos e telhados de ardósia azul. Possui uma enorme área verde onde as pessoas curtem a valer neste verão com pic-nics, jogos, danças e brincadeiras com as crianças.
Ficamos horas curtinho a praça, yo e a madame Bião de Jesus e saboreando um rosé com petiscos. A nossa volta dezenas de pessoas sentadas na grama, algumas deitadas tomando sol.
Desde a sua criação, no século XVII (1605/1612) a praça mudou de nome ao longo do tempo: praça Real sob o reinado de Henrique IV, praça dos Federados, praça do Fabrico das Armas, ou ainda, praça da Indivisibilidade, antes de ser nomeada praça de Vosges, em 1800, em homenagem ao departamento homónimo que foi o primeiro a pagar o imposto durante a Revolução Francesa.
Os prédios possuem arcadas e você pode passear debaixo apreciando as inúmeras galerias de arte, bistrôs e boutiques. A casa onde morou Vitor Hugo é a número 6 onde viveu 16 anos de sua existenta. A praça também é conhecida por hoje ser a residência de muitas personalidades políticas e artísticas.
No meio da praça, o jardim Luís XIII, com suas fontes, sua estátua equestre e seu relvado bem verde. Sentar num dos bistrôs existentes nas arcadas é uma boa pedida. Há vários com cardápios variados. (TF)