Cultura

BRASIL TORCEU PARA O QUE VIU (FERNANDA TORRES);OSCARS PREMIOU WALTER

Premiação melhor filme estrangeiro para "Ainda Estou Aqui" é histórica, por ser o primeiro, e deve ser compartilhada por todos os que produziram o filme
Tasso Franco ,  Salvador | 03/03/2025 às 11:30
Walter Salles e a estatueta primeiro Oscars do Brasil
Foto: REP
    O cinema brasileiro conquistou a estatueta Oscars na categoria de melhor filme estrangeiro premiando o diretor Walter Salles com o filme "Ainda Estou Aqui" e a desejada premiação de Fernanda Torres como melhor atriz estrelando o filme já citado não aconteceu. A Academia premiou a jovem atriz Mikey Madison por sua atuação em "Anora".

  Muita gente achou que foi um absurdo, algo inconcebível, uma atriz muito jovem derrotar nomes como Demi Moore (A Substância), Karla Sofia Gascon (Emilia Perez), Cynthia Erivo (Wiced) e Fernanda Torres (Ainda Estou Aqui) mas é preciso observar o conjunto da obra e o filme em que ela atuou abocanhou 4 estatuetas. 

  A rigor, Fernando Torres não foi derrotata, pois, não se trata de uma batalha militar nem um jogo de futebol. E, sim, de uma competição onde são observados múltiplos fatores, a maioria dos votantes da Academia constituida por norte-americano e britânicos. Ademais, a propalada internacionalização da Academia já abre algumas janelas e se dá de forma gradual, aos poucos, nada, de forma mais ampla.

   A brasileira, portanto, enfrentou todos esses obstáculos e a despeito dessa baboseira nacional com transmissões televisivas no modelo Galvão Bueno na época da Copa do Mundo, Maria Beltrão colocando ao vivo platéias de brasis carnavalescos enaltecendo Fernanda Torres, nada disso tem influência na Academia. 

   Muito menos, como imaginam brasileiros que usaram as redes sociais mobilizadas por grupos politicos da esquerda nacional e campanhas outras esse movimento ria impactar em Hollywood.

  A Academia é quase como a Igreja Católica tem normas, tem princípios, e nada disso influencia ou muda cenários e os brasileiros que estão viciados nessa lambança do dualismo político esqueda-direita, e campanhas "Pra Frente Brasil" patrocinada em especial pela Rede Globo (e vimos coisa parecida na frustração da bola de ouro para Vinicius Jr) induzem um já ganhou, um super Brasil, um marketing verde e amarelo (até comercial do Itaú teve) sem contabilizar a realidade dos fatos antecipando vitórias que nem são efetivadas.

  Por postos, poucos falavam do prêmio ao diretor do filme, Walter Salles, na categoria melhor filme estrangeiro (desbancando a hegemonia do cinema francês que j´[a tem 12 estatuetas) e foi essa estatueta que vem para o Brasil. Claro, trata-se de uma estatueta que pode ser compartilhada pelo diretor, atores, atrizes e profissionais que realizaram o fime, do roteirista ao iluminador.  E de sua pricinpal atriz, a Fernanda Torres.
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  O crítico de cinema Waldemar Dalenogare afirmou à Globonews que a Academia amou Anora, tanto que o longa concorreu a seis categorias e ganhou em cinco delas e foi nesse contexto que Mikey Madison venceu como melhor atriz: Melhor Filme;  Melhor Atriz; Melhor Direção; Melhor Montagem; Melhor Roteirista; e
Ator Coadjuvante (perdeu para Kieran Culkin, em "A verdadeira dor").

   Dalenogare esplica que era difícil Fernanda ganhar a estatueta porque no que diz respeito a valorização de uma atriz de um filme de língua não-inglesa "a academia está se abrindo, em um processo de internacionalização, mas [ainda] existe um problema de identificar uma boa atuação fora do eixo EUA-Reino Unido".

   Quanto a Demi Moore, o especialista afirmou que a escolha por Mikey também aponta mais uma vez que a academia rejeita filmes de terror – tanto que, na história da premiação, o longa foi o sétimo de horror/terror indicado a melhor filme na história.

   Historicamente, os filmes de terror e horror são considerados “baratos”, com violência gratuita e recursos “de segunda”. Em uma matéria do veículo NPR, argumenta-se que a Academia prefere dramas sóbrios, "que tendem a ser baseados em pessoas reais e situações históricas reais", sem espaço para produções mais estilísticas de qualquer natureza.

Mas como funciona a votação do Oscar?

No começo do ano, a Academia de Artes e Ciências cinematográficas anunciou que 323 filmes eram elegíveis, dentro de 23 categorias – sendo que 207 deles se encaixavam nos pré-requisitos para concorrer a "melhor filme".

Para escolher os indicados, os mais de dez mil membros só podem votar nos filmes e profissionais nas áreas de atuação deles. Veja no vídeo abaixo alguns brasileiros que votam na academia.

O Brasil tem 52 eleitores na academia, entre eles: Fernanda Montenegro, Walter Salles e Sônia Braga.

Em janeiro, a Academia anunciou os indicados – sendo cinco para cada categoria e até dez para melhor filme do ano. Em seguida, todos os integrantes podem votar em quantas categorias quiserem. O voto é secreto, sendo encorajados a votar apenas nas categorias dos filmes que assistiram.

Na maioria das categorias, o vencedor é definido pelo maior número de votos. No entanto, para o prêmio de Melhor Filme do Ano, a votação segue um sistema de preferência, no qual os membros ranqueiam os filmes do primeiro ao décimo lugar.

Para vencer, um longa precisa obter pelo menos 50% dos votos na primeira posição (entenda no vídeo abaixo).