Institucionalmente, o Carnaval na Barra-Ondina nasceu no governo Fernando José, como Mauro Cardim, e o pioneirismo de Jorge Roque, Zarat, Netinho, Armandinho, Timbalada e jovens do Crocodilo
Tasso Franco , da redação em Salvador |
17/02/2026 às 14:55
Jorge Roque fundou o Broder, pioneiro a desfilar na Barra
Foto: DIV
O Carnaval na Barra ainda sem se chamar Circuito Barra-Ondina com o nome de Dodô nasceu no governo municipal do prefeito Fernando José quando Mauro Cardim era diretor de marketing da Emtursa, graças ao denodo e esforço de Jorge Roque jovem serrinhense que, nessa época, início dos anos 1990, dirigia a Academia da Ladeira, uma academia de ginástica e musculação situada na Ladeira da Barra, quando um grupo de jovens que frequentava o espaço fundou o Bloco Crocodilo.
Fernando José foi eleito prefeito em 1988 e seu mandato foi até 1992. Nessa época, o desfile das entidades carnavalescas se dava no centro do Campo Grande a Praça da Sé (também não tinha o nome de circuito Osmar) e o destaque da folia acontecia na Praça Castro Alves.
A Barra não tinha Carnaval, era um bairro eminentemente residencial, quando surgiu uma manifestação típica das festas de largo da cidade, uma lavagem da escadaria do Porto da Barra, com espírito e músicas carnavalescas, graças ao esforço de Jorge Roque, hoje agente do DENIT.
Essa é a origem do Carnaval da Barra. Jorge Roque afirma que “os jovens do ‘Crocodilo’ usavam a sala da academia (gerenciada por ele) como sede e também frequentavam o Barzinho da Ladeira, juntamente com os cantores Jorge Zarat e Netinho. Nessa época, Daniela Mercury era cantora do barzinho Canteiros, na Pituba, e nós (eu e Carlos Safira) fizemos o primeiro carro de apoio do Crocodilo e na Lavagem do Porto se apresentaram no trio Gilberto Gil, Asa de Águia e Elba Ramalho, esta em 1992, quando reunimos 100 mil pessoas na Barra”.
Ainda segundo Jorge Roque, em 1991/1992, Jorge Zarat disse que uma turma da Pituba queria fundar um bloco e indicou meu nome. “Numa reunião em Serrinha, na Fazenda de Wardinho Serra, eu topei a parada e fundamos o Broder, em 1992, com lançamento no circo de Marcos Frota, Ondina, que foi o primeiro trio a destilar na Barra no momento do Carnaval, uma sugestão que partiu do tenente PM Menezes, hoje, coronel da reserva, para que fizéssemos um laboratório carnavalesco”.
- Isso aconteceu no ano de 1992 e Daniela só começou a desfilar na Barra, em 1996, depois que seu empresário insistiu muito (ela não queria) dizendo-lhe que a Barra era o futuro do Carnaval. Quando ela chegou na Barra o Carnaval já estava rolando há muito tempo e já tínhamos por lá, inclusive fizemos o primeiro encontro de trios na Barra (área onde está hoje o camarote do Harém conhecida como Larguinho do Morro do Gato) com Armandinho, Dodô e Osmar, e Armandinho já puxava o Adrenalina, comenta JR.
Daniela Mercury, portanto, não fundou nada na Barra, ela entrou na fila como outros entraram depois e, a partir de 1997 ou 1998 desfilava e integrava o camarote de Licia Fábio.
Jorge Roque cita que o estouro da Barra-Ondina se deu com o Broder e Timbalada de Carlinhos Brown, em 1997, quando o circuito recebeu milhares de pessoas.
COMENTÁRIO DO BAHIAJÁ
Acompanhei esse processo de evolução do Carnaval no Circuito Barra-Ondina porque fui secretário de Comunicação da Prefeitura entre 1997-2004 e foi nesse período, com Eliana Dumet, gerenciando o Carnaval, quando a PMS estruturou os circuitos dando os nomes de Osmar (Campo Grande) e Dodô (Barra-Ondina) exatamente colocando o nome do Osmar no circuito que era mais famoso e abrigava mais gente; e Dodô na Barra.
Com o crescimento do Carnaval na Barra-Ondina devido a paisagem, o mar, a estrutura hoteleira, espaço mais largo que na Avenida Sete-Campo Grande, a explosão aconteceu.
Méritos, portanto, para os pioneiros nesse processo: Jorge Roque, Mauro Cardim, Zarat, Netinho, Armandinho, Asa de Águia, Timbalada, Fecundança e os jovens do Crocodilo.