Concebida para a Cúpula do G20, exposição panorâmica traça um percurso pela arte brasileira dos séculos 20 e 21, em itinerância nacional, com a realização do CCBB
Tasso Franco , da redação em Salvador |
25/02/2026 às 13:13
Obra de autor desconhecido
Foto: Almeida Efraim
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) inaugura, no dia 10 de março de 2026, a exposição Uma história da arte brasileira, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), equipamento vinculado ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), unidade da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA). A mostra marca a terceira etapa do programa de itinerância desenvolvido em colaboração com o Centro Cultural Banco do Brasil e reúne cerca de 80 obras do acervo do MAM Rio, propondo um amplo percurso pela produção artística brasileira dos séculos 20 e 21.
Concebida originalmente para a Cúpula do G20, realizada no MAM Rio em novembro de 2024, a exposição foi apresentada a chefes de Estado e delegações internacionais antes de ser aberta ao público carioca.
Em 2025, a instituição iniciou o programa de circulação nacional da mostra por Belo Horizonte, onde recebeu mais de 45 mil pessoas, e seguiu para Brasília, cuja apresentação se encerrou no último dia 8 de fevereiro, com cerca de 16 mil visitantes em curta temporada. Tal adesão confirma a potência do projeto e o interesse do público por um recorte abrangente da produção artística nacional. Agora, Uma história da arte brasileira chega a Salvador, cidade fundamental para a história cultural do país e para a formação de imaginários artísticos no Brasil.
Para Yole Mendonça, diretora executiva do MAM Rio, “é uma alegria ampliar o acesso ao acervo do museu por meio desta itinerância. Reunimos obras emblemáticas, profundamente representativas da arte brasileira, presentes no imaginário de diferentes gerações em todo o país. Levar esse conjunto a novos públicos reafirma o compromisso do MAM Rio com a circulação, a formação e o acesso à cultura”.
Com curadoria de Raquel Barreto e Pablo Lafuente, curadora-chefe e diretor artístico da instituição carioca, respectivamente, a exposição oferece um panorama plural, articulando continuidades, rupturas, invenções e experimentações que atravessam diferentes gerações, linguagens e contextos históricos. Organizada de forma cronológica, a seleção evidencia como a prática artística no Brasil interpreta o mundo, tensiona narrativas e instiga reflexões críticas.
“Encerrar esse ciclo de itinerância em Salvador tem um significado especial, sobretudo no MAM Bahia, instituição irmã do MAM Rio, com a qual compartilhamos a vocação moderna e o compromisso com a experimentação e a formação de públicos. A apresentação da mostra nesse contexto reforça vínculos históricos entre os dois museus e amplia o diálogo entre suas coleções e trajetórias”, comenta Raquel Barreto.
O conjunto de obras abrange momentos decisivos da arte no país, do modernismo às produções contemporâneas, e reúne artistas como Adriana Varejão, Alberto da Veiga Guignard, Anita Malfatti, Beatriz Milhazes, Candido Portinari, Di Cavalcanti, Hélio Oiticica, Leonilson, Lygia Clark, Lygia Pape, Mario Cravo Neto, Sebastião Salgado, Tomie Ohtake, Tunga e Waltercio Caldas, refletindo a diversidade de poéticas, suportes e visões que conformam a arte brasileira.
A presença de artistas que definiram a história da arte brasileira constitui uma oportunidade ímpar para escolas, projetos educativos e o público em geral, ao proporcionar o contato direto com obras que integram os livros e a memória da história da arte no país.
“Para o MAM Bahia é uma honra receber essa mostra do MAM Rio e retomar a parceria com o CCBB. Enriquece e dinamiza a nossa programação reforçando um importante diálogo com outros acervos, circuitos e equipamentos culturais. Nosso público, especialmente a juventude baiana, merece conhecer de perto esse rico recorte da história da arte brasileira”, afirma Marília Gil, diretora do MAM-BA.
Para Júlio Paranaguá, gerente geral do CCBB, “é motivo de orgulho para o Centro Cultural Banco do Brasil promover a exposição Uma História da Arte Brasileira junto com duas instituições tão relevantes (MAM Rio e MAM Bahia). Realizar essa mostra em Salvador reafirma a nossa missão de ampliar a conexão das pessoas com a cultura.”
Cinco eixos curatoriais
Organizada em cinco núcleos cronológicos, a exposição apresenta momentos decisivos:
Modernismo (1910–1950), quando artistas consolidaram uma linguagem própria marcada pela busca de identidade nacional; Abstracionismo e Concretismo (anos 1950), com a emergência de grupos e manifestos que redefiniram o campo artístico; Nova Figuração e poéticas do conceito (anos 1960–1970), período de forte experimentação em resposta à ditadura militar; Da década de 1980 ao presente, com a força pictórica da Geração 80, a pluralidade dos anos 1990 e as transformações dos anos 2000 — quando artistas negros, indígenas, mulheres e LGBTQIA+ tensionam cânones e reescrevem narrativas; e, por fim, Imagens do Brasil contemporâneo, seleção do comodato Joaquim Paiva, uma das mais importantes coleções de fotografia do país, que aborda cenas sociais, políticas, paisagens e aspectos fundamentais da vida brasileira.
Arte, educação e acesso público em escala nacional
A apresentação de Uma história da arte brasileira em Salvador reforça esse compromisso institucional, ampliando o acesso a um acervo que representa movimentos fundamentais da arte no Brasil ao longo de mais de um século e promovendo o encontro do público com obras e artistas centrais da história cultural do país.
“A exposição evidencia como a prática artística interpreta o mundo, revela tensões históricas e amplia nossa percepção das múltiplas histórias que compõem a arte brasileira”, afirmam os curadores.
Ao reunir artistas de diferentes épocas e perspectivas, Uma história da arte brasileira convida o público a revisitar trajetórias, repensar narrativas e reconhecer a diversidade que forma — e transforma — a produção artística no país.
Inaugurado em 1948, o MAM Rio abriga uma das mais relevantes coleções de arte moderna e contemporânea do país, com mais de 16 mil obras, entre coleção própria e dois importantes acervos em comodato: o de Joaquim Paiva, dedicado à fotografia brasileira e internacional, e o de Gilberto Chateaubriand, voltado às artes visuais nacionais. Ao longo de seus 77 anos de história, o museu tem atuado de forma decisiva na formação de públicos e no fortalecimento da função social, educativa e cidadã da arte.
Mais informações sobre o MAM Rio
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro promove experiências participativas e inclusivas a partir da arte. Fundado em 1948 com a premissa de ser um museu-escola, é referência como plataforma de criação e formação para artistas e públicos, alcançando diferentes gerações e territórios. O MAM Rio é responsável por um extenso acervo de arte moderna e contemporânea, com focos na arte brasileira e em fotografia. Atualmente, abriga três coleções de artes visuais, com um total de cerca de 16 mil obras.
As exposições do MAM Rio propõem relações entre artistas de diferentes gerações, conectando passado e presente em todas as linguagens e manifestações, pautados por temáticas diversas e equitativas do mundo e do fazer artístico.
O prédio do MAM Rio no Parque do Flamengo, desenhado por Affonso Eduardo Reidy e com jardins projetados por Roberto Burle Marx, virou referência para a arquitetura mundial. O museu e seu entorno oferecem um espaço de convivialidade e experimentação que impulsiona processos de troca, circulação, vivências e cultura.
Sobre o CCBB
O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) é uma rede de espaços culturais gerida e mantida pelo Banco do Brasil, com o objetivo de ampliar a conexão dos brasileiros com a cultura e valorizar a produção cultural nacional. Presente no Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, está em avançado processo de instalação de sua nova unidade em Salvador.
Na capital baiana, passa a ocupar o Palácio da Aclamação, histórico edifício do início do século passado que, durante mais de cinquenta anos, foi residência oficial dos governadores da Bahia. Mesmo antes de iniciar suas atividades no Palácio, o CCBB já realiza intervenções culturais em importantes espaços da cidade de Salvador.
Sobre o MAM-BA
O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) é um dos principais espaços dedicados à arte moderna e contemporânea no Brasil, sendo o terceiro mais antigo do país. Localizado no Solar do Unhão, conjunto arquitetônico do século XVIII às margens da Baía de Todos os Santos, o MAM Bahia articula patrimônio histórico e produção artística contemporânea. No início da década de 60, o Solar foi restaurado sob a liderança da arquiteta Lina Bo Bardi, que se tornou, posteriormente, a primeira diretora do museu, de 1959 a 1963. Seu acervo reúne obras fundamentais da arte moderna brasileira, com destaque para produções baianas, consolidando o museu como referência na preservação, pesquisa e difusão das artes visuais.
SERVIÇO:
Exposição: “Uma história da arte brasileira”
Curadoria: Raquel Barreto e Pablo Lafuente
Abertura: 10 de março de 2026
Encerramento: 28 de junho de 2026
Local: Museu de Arte Moderna da Bahia
Endereço: Av. Lafayete Coutinho, s/n - Comércio, Salvador | BA
Tel: (71) 3117-6132
Website: http://www.mam.ba.gov.br/ | Instagram: @bahiamam
Horários de visitação: terça a domingo, das 10h às 18h