Cultura

CACHORRO CARAMELO FREQUENTA MISSA NO INTERIOR DO PARANÁ, DESTACA TERRA

Próximo conto do livro Salvadores, de TF, é sobre o lulu do shopping e aposentado
Tasso Franco ,  Salvador | 14/04/2026 às 12:37
Padre Ivo e Caramelo
Foto: REP
   
A intimidade é tanta que o padre Ivo já percebe algumas mudanças de comportamento no cãozinho em partes específicas da missa. Para o religioso, o cachorrinho parece ouvir e entender tudo que se passa na hora da missa, quietinho, como um bom fiel.

"Teve um dia que ele estava mais tranquilo um pouco, depois que ele já tinha pedido carinho ali na hora da liturgia da palavra. Outra vez, quando eu comecei a proclamação do Evangelho, ele subiu ali no presbitério ao lado do ambão da palavra, onde estavam dois coroninhas, e ficou no meio. Isso me chamou muita atenção, porque é como se ele ficasse o tempo inteiro ali escutando", conta. 

Além da relação de carinho entre Ivo e o caramelo, a comunidade também abraçou a presença do fiel 'doguinho' nas celebrações. No entanto, ainda há quem torça o nariz.

"Tem aquelas pessoas que dizem 'o padre está passando a mão no cachorro sujo'. Eu não vejo por esse lado. Se ele está ali é porque está trazendo algum propósito para a gente, o importante é saber acolher com amor", defende.

Mas o padre Ivo garante que a rejeição é insignificante perto do carinho da maior parte da comunidade com o caramelo. Houve até quem tentasse adotar o cãozinho, mas o trâmite acabou não prosseguindo. 

"Ele é um animal de rua. Muitas vezes a grande reclamação é 'mas padre, adote ele'. Pelo que eu sei, já tentaram adotar, mas ele não se deixa adotar. Ele quer liberdade, quer estar no ambiente que está. Como que eu vou adotar? Vou ter que segurar ele aí preso. Acredito que seja melhor ele ter a liberdade que ele tem, porque a gente vê que ele é muito feliz", opina. 

Como religioso, o padre Ivo sempre se questiona quais são os propósitos de Deus para cada acontecimento, cada encontro. Com os fiéis da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e o cãozinho caramelo não foi diferente.

"Talvez Deus esteja me pedindo: 'olha, seja mais acolhedor, respeite mais a minha criação, respeite mais o ser humano, respeite mais os animais'. O ser humano é parte da criação principal, porém Deus não abandona a sua criação no geral. Toda criação tem o seu sentido. Tudo faz parte da nossa vida. E se algo não está em harmonia, tudo despenca", reflete.

“De que forma que nós agimos hoje, fazendo a nossa parte nesse mundo que hoje sofre tantas guerras, tanta violência? Qual é a nossa parte na promoção da paz, na promoção da justiça, na promoção do bem? Judiando dos mais pequenos? Tratando mal aquilo que Deus coloca à nossa frente? Ou, pelo contrário, valorizando aquilo que Deus nos deu através da sua criação?", questiona.