Já mostramos aqui neste site como o Museu Guggenheim transformou a cidade de Bilbao, no País Basco, Espanha, de um centro degradado industrial urbano a beira do Rio Nervion para uma economia dinâmica em turismo e cultura.
Também falamos que o projeto dessa transformação foi mais amplo e envolveu metrô, aeroporto moderno, hotelaria, saneamento, urbanismo, etc. Isso aconteceu na década de 1990 e o museu foi inaugurado em 1997, justo quando Antonio Imbassahy assumiu a Prefeitura e iniciou o projeto do Metrô de Salvador que o PT, naquela época, foi contra.
Anos depois, eu era secretário de Comunicação da Prefeitura (1997-2004), o presidente da Fundação Gregório de Matos, na época Francisco Senna, contactou a Fundação Salomon Guggenheim para verificar a possibilidade de se instalar um Guggenheim em Salvador. Eu já conhecia o Guggenheim de New York desde 2009 e já se falava no inicio da década de 2000 da transformação de Bilbao.
Eis que, Francisco Senna conseguiu (não sei dizer detalhes de como isso aconteceu e só o próprio Senna pode falar melhor do que eu) trazer a Salvador Frank Gehry o arquiteto canadense-norte americano que projetou o Bilbao Guggenheim.
Fomos a um encontro com Gehry (eu, Imbassahy e Senna) no antigo Restaurante Trapiche Adelaide e Senna e Gehry já tinham andando pela cidade do Salvador e ele preliminarmente escolheu o platô ao lado da Praça Castro Alves (subindo a ladeira da Montanha a direita, área hoje também de um estacionamento) e Gehry esboçou uns traços num guardanapo do Trapiche Adelaide o que seria o Guggenheim Salvador.
Claro que todos ficamos entusiasmados especialmente Imbassahy que era o prefeito e ficou de viabilizar os recursos para realizar o projeto que não existia, porém, Gehry deu uma ideia de quanto custaria (creio) com base no projeto Bilbao.
O certo foi que o tempo se passou e Imbassahy não conseguiu viabilizar os recursos para o projeto. A Prefeitura enviou dois secretários para conhecer o Bilbao Guggenheim (salvo engano Sérgio Passarinho e Jorge Freire) que voltaram entusiasmados, mas, o projeto (nem o preliminar) foi executado.
Assim Salvador perdeu de ter o seu Guggenheim e Imbassahy a chance de ser considerado um dos prefeitos (ou o prefeito) mais importante da história moderna da cidade. Bilbao avançou e Salvador não avançou.
O Projeto do Metrô da capital baiana sofreu todo tipo de boicote do PT desde o governo Lula (eleito em 2002) que travou recursos do metrô aos petistas locais (especialmente Nelson Pelegrino, que era líder do governo na Câmara) e foi adversário (derrotado) nas eleições municipais de 1996 e 2000 contra Imbassahy.
ACM Neto então prefeito cometeu o erro político de passar o Metrô para o governo do estado em acordo com o então governador Jaques Wagner e o metrô avançou e o PT carimbou como sendo seu, quando não era (nem é) porque começou com Imbassahy e João Henrique com todos os seus problemas avançou exatamente no momento em que compôs com o PT.
O Aeroporto LEM deu um upgrade com a Vinci (multinacional francesa) que tenta implantar um sistema de embarque e desembarque contemporâneo e a CMS se mostra disposta a ser contra. Ou seja, Salvador, sempre procura o caminho do atraso.
O urbanismo de Bilbao avançou bastante com ruas largas, a margem do Rio Nervion com calçadas sem carros e muitos equipamentos para as pessoas, o centro histórico foi reformado ou melhor restaurado. Até a década de 1980 quando o rio Nervion subia inundava e hoje não inunda mais. Todo um projeto de drenagem, etc, foi implementado.
Há ordenamento no chamado casco viejo. Os bares e restaurantes na maioria das ruas só funciona até as 23h, máximo 23h30min e quem quiser diversão adicional que procure locais específicos, danceterias, boates e clubes de jazz e outros.
Salvador não consegue ordenamento de nada. Tudo funciona na base da esculhambação e seja o que Deus quiser. Então, não pode dar certo.
No momento, Bilbo promove um Festival de Blues (músicas preferidas daqui são rock e blues) e se encerra 23h. Não passa desse horário. Há um respeito para quem vai trabalhar no outro dia, quem mora por perto e não quer ouvir zoadas e assim por diante.
Então, isso tudo em Bilbao, se chama de Efeito Guggenheim ou consequência do Guggenheim. A cidade recebe 6 milhões de turistas para ver um museu (a arquitetura e as obras de arte) e isso puxou a fila requalificando outros museus e criando outras alternativas de lazer, centro de compras comerciais, etc.
A cidade tem 350 mil habitantes e 2.046 bares e restaurantes. É o efeito museu uma vez que recebe por mês quase 500 mil visitantes.
Depois de Imbassahy vieram João Henrique (8 anos), ACM Neto (+ 8 anos) e agora Bruno Reis (8 anos) no total dos 4 prefeitos 32 anos e a cidade continua sem seu grande projeto de Cultura.
Outro exemplo vem do Egito, do Cairo, que inaugurou recentemente (2025) o Grande Museu do Egito inaugurado e já programei uma viagem conhecê-lo. Como eu, milhões de pessoas no planeta.
Aguardo o de Salvador. Não sei se vai dar tempo. Mas, aguardo. E a cidade agradeceria muito e poderia se transformar em internacional. (TF)