Cultura

GUGGENHEIM BILBAO DESTACA OBRA DO SULAFRICANO IGSHAAN E O APARTHEID

A obra de Igshaan Adams está em destaque no Museu Guggenheim Bilbao na exposição "in situ" aberta até 1º de novembro de 2026. A mostra inclui grandes tapeçarias suspensas e "nuvens" tecidas, criadas a partir de oficinas d
Tasso Franco , Bilbao | 30/07/2026 às 06:08
Tapeçaria com pérolas e búzios
Foto: BJÁ
 Como já comentei neste BJÁ o Museu Guggenheim de Bilbao possui 20 salas de exposições enormes e uma arquitetura integrativa com a cidade. Mostramos isso na segunda matéria que fizemos e, hoje, destacaremos apenas a grande sala que foi reservada ao artista sulafriacano Igshaan Adams, de tapeçaria. Você vê video no canal de Sêo Franco no YouTube.       

  A obra de Igshaan Adams está em destaque no Museu Guggenheim Bilbao na exposição "in situ" aberta até 1º de novembro de 2026. A mostra inclui grandes tapeçarias suspensas e "nuvens" tecidas, criadas a partir de oficinas de dança e memória coletiva. 

  O artista: Igshaan Adams (África do Sul, nascido em 1982) expõe tapeçarias de grande escala e peças flutuantes criadas a partir de vestígios de movimentos de dançarinos da África do Sul e da Grécia. Explora o ritmo, a empatia, o trauma do apartheid e a capacidade de cura do corpo.
  
   Sua obra se situa no contexto da África do Sul pós-apartheid e aborda as contradições de suas próprias experiências de vida na expo.

  Igshaan Adams é um renomado artista multidisciplinar sul-africano, nascido em 1982 na Cidade do Cabo. Ele é conhecido por suas monumentais instalações têxteis, tapeçarias e esculturas aéreas que misturam tecelagem, performance e ativismo político.

   Sua trajetória e identidade são marcadas por três pilares centrais que definem sua expressão artística: 1. Origem e o peso do Apartheid: Adams cresceu em Bonteheuwel, um bairro segregado na periferia da Cidade do Cabo. Durante o regime do apartheid, sua família foi classificada pelo governo como "coloured" (mestiça), uma categoria social que ficava espremida entre as populações branca e negra.

   Suas obras frequentemente processam os traumas dessa segregação espacial e a resiliência das comunidades marginalizadas da África do Sul.

   2. Cruzamento de identidades - O artista navega por territórios complexos de identidade: ele é um homem abertamente gay e um muçulmano praticante, tendo sido criado por avós cristãos em uma comunidade majoritariamente islâmica. Suas peças têxteis funcionam como uma costura poética dessas realidades que a sociedade muitas vezes considera contraditórias ou excludentes.

   3. Técnica intuitiva e materiais humildes - Ao contrário de tecelões tradicionais, Adams não possui formação acadêmica rígida em tecelagem, preferindo criar a partir de um processo puramente intuitivo. Ele transforma materiais simples e cotidianos coletados em periferias sul-africanas em obras de arte sofisticadas.

    Entre seus materiais mais comuns estão:Contas de plástico e vidroCordas de algodão e fios coloridos, arames, correntes e telas de jardim.