Direito

TURISTA GAÚCHA É PRESA EM SALVADOR SUSPEITA DE INJÚRIA RACIAL

Turista teria pedido atendimento por um delegado de cor branca (Com G1 informações)
Da Redação , Salvador | 22/01/2026 às 18:13
Gisele Madrid passa por audiência de custódia
Foto:
Uma turista do Rio Grande do Sul foi presa, na quarta-feira (21) suspeita de cometer o crime de injúria racial contra uma comerciante que trabalhava na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba, no Pelourinho, em Salvador. O caso aconteceu durante um evento gratuito que acontecia no local.

Segundo informações apuradas pela TV Bahia, a suspeita foi identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos. Ela teria proferido ofensas de cunho racial contra a comerciante e, em seguida, cuspido na vítima.

Em entrevista à TV Bahia, a vítima, identificada como Hanna, contou que trabalhava no bar do evento e nunca pensou que passaria por isso.

"Eu fiz uma venda e retirei o balde um cliente. No momento que eu passei, ela falou: 'Vai mais um lixo'. Eu questionei e ela reafirmou que eu era um lixo e deu uma 'escarrada' em mim. Ela correu e eu perdi ela de vista. Ela teve problemas com outras pessoas e o segurança estava tentando tirar ela do evento", detalhou a mulher.

Segundo a comerciante, a turista olhava nos olhos dela e dizia: "Eu sou branca". Hanna relatou que recebeu o apoio da chefe dela, mas, que, se dependesse da segurança do evento, a suspeita não teria sido levada à delegacia.

"O policial queria que fôssemos para a delegacia na mesma viatura, mas eu disse que eu não iria porque se fosse o contrário, eu estaria no porta-malas e ainda sairia algemada. Eles tiveram toda a paciência do mundo e ela saiu no tempo dela. Ela ficou se coçando e dizendo que aquele lugar não era para ela", detalhou a mulher.

A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin). O g1 tenta localizar a defesa de Gisele Madrid Spencer Cesar.

Após o registro da ocorrência, a turista foi conduzida à Decrin, onde, segundo a polícia, continuou a adotar uma conduta discriminatória. Ainda na unidade policial, ela solicitou atendimento exclusivo por um delegado de pele branca.

Oitivas foram realizadas pela equipe da Decrin, que conduz a investigação. A suspeita permanece custodiada e está à disposição da Justiça.