A gerente comercial da Coopercuc, Jussara Dantas, se diz satisfeita com o crescimento comercial do grupo em 2007. "Foi um ano muito positivo. Conseguimos vender mais de R$ 400 mil em produtos derivados de frutas nativas e cultivadas para o mercado interno, além de ampliar as vendas para o mercado externo", comemora.
Segundo Jussara, a comercialização para a França passou de 10 para 30 toneladas de doce de umbu. A Coopersuc também chegou ao mercado austríaco, inicialmente com 7,5 toneladas, fazendo seu faturamento anual chegar a R$ 80 mil em produtos.
Jussara fala ainda que a cooperativa pretende este ano expandir ainda mais sua atuação no mercado interno e conquistar o mercado justo da Alemanha. São mais de 200 famílias envolvidas no processo produtivo da cooperativa, que possui 15 unidades de beneficiamento espalhadas nos municípios de Canudos, Uauá e Curaçá e uma unidade central que atende à demanda para exportação.
PRÁTICAS INOVADORAS
De acordo com o coordenador e gestor de fruticultura do Sebrae na Bahia, Rinaldo Moraes, uma das metas do Projeto do Arranjo Produtivo Local (APL) de Fruticultura, que vem atuando em quatro municípios do norte da Bahia, é aumentar em 30% a receita de vendas dos produtores das dez associações e cooperativas atendidas pelo projeto até 2010.
"Estamos realizando ações para melhorar a renda dos pequenos produtores de forma sustentável, através do fortalecimento das organizações coletivas, do acesso a mercados e da adoção de práticas inovadoras. Vamos também buscar elevar o volume de frutas destinadas à comercialização para mercados justo, solidário e orgânico", afirma Moraes.
A assinatura de contratualização do Projeto do APL acontece agora em abril, e vai beneficiar até 2010 produtores de empreendimentos de pequeno porte da Afrupec, Aproac, Apra III, Aprov, Manga Brasil, Coopercuc, Caj, Appim, Cooperbran, redes associativas, empresariais e grupos de comercialização coletiva, localizadas nos municipios de Juazeiro, Curaçá, Uauá e Casa Nova.
O coordenador local de Fruticultura da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti), Carlos Rafael Souza, diz que por meio do 'Programa de Fortalecimento da Atividade Empresarial da Bahia', o governo vai apoiar cooperativas e associações de produção orgânica, no processo de formação de redes associativas, para financiamento de plano de negócios que envolvem atividades nas áreas de capacitação empresarial e profissional, acesso a mercados e de serviços técnico e tecnológicos. "Já tivemos um primeiro encontro com o grupo da Coopercuc e este mês vamos nos reunir novamente", informa.
Os produtores da Associação Manga Brasil, localizada no perímetro irrigado de Maniçoba, em Juazeiro, também estão otimistas com o crescimento da comercialização de frutas, principalmente em relação ao mercado externo.
Segundo o produtor e presidente da Manga Brasil, Josival Nascimento, a associação comercializou em 2007 mais de duas mil toneladas de manga, das quais mais 133 foram para o mercado europeu, através do Comércio Justo. "Para o segundo semestre de 2008 já temos uma encomenda para a Europa de 30 containeres, o que equivale a mais de 600 toneladas de manga", revela Josival.
Outro grupo que também obteve resultados positivos foi a Afrupec. "De 2006 pra cá, aumentamos muito a nossa produção e comercialização para o mercado interno, o que tem contribuído para melhoria da renda dos produtores da associação", diz o presidente da Afrupec, Josival Barbosa. Ele conta que este ano o grupo pretende comercializar a manga de forma coletiva e, para isso, espera contar com o apoio dos parceiros.
O Projeto do APL é uma parceria de entidades como o Sebrae/BA, Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Banco do Brasil, Secretária de Ciência Tecnologia e Inovação (Secti), Banco do Nordeste e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).