O programa que implica até mesmo a antecipação de investimentos do Estado, com aplicação de recursos na casa de R$ 20 bilhões, garantindo a manutenção de 858 mil empregos no Estado de São Paulo, surpreendeu alguns governadores por representar uma política audaciosa frente à crise mundial.
Aqui na Bahia, no entanto, a proposta causou uma reação inusitada perante os deputados que compareceram à sessão desta segunda feira na ALBA, tal a semelhança com o conjunto de medidas proposto pelo Instituto dos Auditores Fiscais da Bahia, o IAF Sindical.
CONTIGENCIAR
A adoção de uma política Keynesiana, representada pela manutenção dos investimentos públicos, garantia dos investimentos privados, incentivo e apoio às micro e pequenas empresas, e, sobretudo, a geração e manutenção dos postos de trabalhos, foram medidas sugeridas em entrevista exclusiva ao Bahia Já, pelo Diretor de Assuntos Parlamentares do IAF, o Auditor Maurício Ferreira, que na ocasião criticou a adoção do contingenciamento do custeio como única alternativa sugerida pela equipe do governo para o enfrentamento da crise.
Na ocasião, o sindicalista declarou que "A adoção de um modelo representado pela manutenção dos investimentos públicos e incentivos à produção e ao consumo, seria a alternativa mais acertada para um momento de aceleração negativa da economia, e a prática de contingenciamentos de despesas essenciais, como alternativa isolada, não se revela ser a mais apropriada para o momento".
O mais curioso disso tudo é que o IAF Sindical, apesar de estar discordando da atual equipe da Fazenda quanto da apresentação do PL 17.713/2008, desde que tomou conhecimento do anúncio do contingenciamento de 600 milhões nos gastos do governo, se colocou à disposição para elaboração de um projeto de enfrentamento da crise e da desaceleração da arrecadação do estado, demonstrando que o interesse público deve prevalecer nas relações institucionais.
ATENÇÃO
O certo é que a equipe econômica do governo Wagner não parece estar antenada com o atual panorama financeiro mundial, e tem se mostrado incapaz de elaborar uma proposta criativa, ou que, ao menos, pareça eficaz para o enfrentamento da crise.
A denúncia dos Deputados Carlos Gaban e Artur Maia em plena assembléia de que o arrocho fiscal sobre o micro e pequeno empresário são medidas que só virão agravar a crise. Soma-se a isso, a incapacidade do governo estadual de alinhavar a permanência das indústrias captadas por administrações anteriores, e assim garantir a manutenção dos postos de trabalhos, mostra que a reforma administrativa acenada pelo governador Jaques Wagner não deverá esquecer setores importantes da administração pública estadual.