Ohara Grece é nossa comentarista do segmento cooperativo
Baianas desfilam no Campo Grande com vestes que poderiam ser feitas pelas cooperativas
Foto: Foto: Agecom
O Carnaval de Salvador também serviu para mostrar a fragilidade do cooperativismo na Bahia. Exceto 11 cooperativas de catadores de lixo que atuaram no circuito da festa coletando algo em torno de 160 a 170 toneladas de materiais recicláveis, nada mais se ouviu falar na atuação desse segmento na grande festa baiana.
O Verão/Carnaval deveria ser uma temporada onde as cooperativas baianas pudessem participar de forma mais efetiva do bolo distributivo da renda, uma vez que, nesta época do ano, não só em Salvador, mas, em boa parte do litoral baiano há uma infinidade de eventos e oportunidades de negócios.
Fiquemos, no entanto com o Carnaval de Salvador. Veja que existem dezenas de oportunidades para as cooperativas, quer no setor de vestuário; quanto no de alimentos e outros abertos para que se promovam negócios. Se uma cooperativa, por exemplo, ficasse responsável por vestir os homens que desfilaram no afoxé Filhos de Gandhy teria encomendas de 10 mil turbantes, 100 mil colares, 10 mil vestimentas e 10 mil pares de sandálias.
Seria trabalho para um semestre, a depender da dimensão da cooperativa. E estamos falando só do Filhos de Gandhy, mas, o Carnaval reúne mais de 200 blocos e entidades, com largas oportunidades para se fazer um trabalho cooperativado. E, em parte, utilizam equipamentos e vestes fáceis de serem produzidas.
O que falta então para que essas cooperativas participem? Primeiro falta organização e marketing das próprias cooperativas, as quais, muitas vezes não tem estruturas para enfrentar uma parada dessa natureza. Segundo, a falta de interesse da OCB/BA no sentido de incentivar o pessoal, fazer contato com as organizações carnavalescas, para que participem dessas oportunidades, ou seja, intermediar as negociações.
Sem isso, sem essa vontade da OCB e sem organização, o segmento cooperativista vai continuar de fora da maior festa do planeta, os catadores de latinhas continuaram como meros seres invisíveis aos olhos da sociedade, isso sem contar com as outras oportunidades do verão ao longo da costa litorânea e cada vez mais distante de um futuro melhor.
Em 2009, esse pessoal precisa abrir os olhos, procurar o Sebrae, fustigar a OCB/BA, interagir com os governos municipal e estadual, e participar desse processo produtivo.
O governo do Estado, recentemente, enviou um projeto de apoio ao cooperativismo para a Assembléia, já aprovado. Dessa forma, abriu mais espaços para que o segmento possa avançar um pouco mais na Bahia.
O problema básico, no entanto, é de cultura. A Bahia nunca teve disseminada no Estado essa cultura do cooperativismo. Precisa, portanto, se inserir no contexto de forma mais efetiva, para participar das oportunidades.
E, o Carnaval, é um prato cheio de oportunidades.