Nos últimos dias, os números da economia baiana foram objetos de polêmicas nas rodas especializadas, já que a divulgação pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dos dados do setor industrial trazia a informação de que a produção industrial baiana teria tido o segundo maior crescimento do Brasil, atrás apenas do estado do Amazonas, dando idéia de que as finanças do estado estariam dando sinais de reação à crise, o que, efetivamente não condizia com a queda de quase R$ 100 milhões de reais na arrecadação de ICMS verificada no mês de junho e anunciada em primeira mão pelo BAHIA JÁ.
A polêmica aumentou ainda mais depois que, com a omissão da equipe de técnicos da secretaria da Fazenda, o Diretor Geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Geraldo Reis, teria afirmado que os resultados da produção industrial, em maio, indicavam que o setor industrial estaria começando a responder positivamente, com repercussões na dinâmica da economia baiana.
Segundo o diretor do SEI, o montante arrecadado pelo Estado, em maio, com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) teria atingido a marca de R$ 836 milhões, o que representava um incremento de 7,67% em relação a abril, e 6,98% acima dos valores de maio de 2008.
Contudo, para o diretor do Instituto dos Auditores Fiscais da Bahia - IAF, Maurício Ferreira, os números do IBGE retratam um cenário bem diferente do que foi divulgado pela assessoria do governo. Segundo o sindicalista, os números divulgados pelo IBGE apenas mostram a variação da produção industrial do mês de maio com o mês imediatamente anterior, isto é, o mês de abril, quando a economia baiana teve um desempenho muito abaixo da média.
Se considerarmos apenas para efeito de análise, a variação da produção industrial baiana de maio de 2009, com o mesmo período do ano anterior, os indicadores obtidos serão bem diferentes, disse o diretor do IAF. "Apenas para se ter uma idéia, em comparação com maio do ano passado a atividade industrial da Bahia caiu 12,3%, um número verdadeiramente preocupante", disse Ferreira.
Para Maurício Ferreira os números da economia devem ser analisados com prudência e maturidade, para ele, não se pode comparar o ruim com o pior. Segundo o diretor do IAF, não se pode negar que o setor industrial baiano foi um dos mais atingidos pela crise. "A queda global de 100 milhões na arrecadação é um indicador inquestionável de que o estado precisa adotar, urgentemente, medidas de recuperação da economia, não adianta tentar vedar os olhos", afirmou o diretor do IAF.
A perda acumulada de mais de R$ 470 milhões de arrecadação do ICMS nos últimos seis meses vem sendo acompanhada de perto pelo BAHIA JÁ, que divulgou em primeira mão a queda recorde de arrecadação no mês de junho. A declaração do diretor geral da SEI de que a economia estaria dando sinais de recuperação, mesmo com tantos números negativos, retrata a miopia que atinge os atuais colaboradores do governo Wagner, sobretudo nas áreas da Fazenda e do Planejamento.
Para o diretor do IAF, Maurício Ferreira, os próximos indicadores do IBGE deverão trazer dados alarmantes, com a atividade industrial baiana despencando no mês de junho com relação a maio, em quase 8,5%, e 14,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, o que significaria um sinal de alerta, para que providências, enfim, venham a ser tomadas.
É preciso que o estado retome a sua capacidade de investir e atrair novos capitais para vencer a crise, disse o sindicalista.