Economia

OPINIÃO DO LEITOR: AUDITOR FAZ RETROSPECTIVA DO FISCO BAIANO

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| 06/06/2010 às 16:28
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  Houve um tempo em que nós aplaudíamos o Governador Nilo Coelho, por termos alcançado por seu intermédio um marco histórico em matéria de remuneração fiscal. Nesses quase vinte anos passados, não houve um governador que tivesse a sensibilidade para valorizar uma categoria de trabalhadores dentre os mais notáveis de um Estado, tal como sempre mereceu - a Classe do Fisco Baiano...

A nossa moeda, nesse lapso de tempo, passou por várias transformações, o que dificulta as comparações com as percepções do momento atual. O que temos de informativo é que no Governo Nilo Coelho conseguimos um patamar de expressão.

Claro que a cotação do dólar naquela época era de quase 5 moedas brasileiras para cada dólar... A Classe até hoje agradece ao nobre Governante, por ter reconhecido o valor do Fisco Baiano. Pouco tempo depois, já com novo governante, saímos da Terra Prometida, onde jorrava leite e mel com abundância, para um terreno bem árido e sem esperanças de dias melhores...

As nuvens douradas se foram, cedendo lugar a nuvens cinza e mais adiante negras, que já despontavam no horizonte e cada vez mais assustadoras e próximas... Nesses últimos dezesseis anos, com os governos menos amigos – tivemos corte de 40%, (quarenta por cento), no tão conhecido episódio do Redutor Salarial. Pouco mais adiante, tivemos correções salariais anuais, sempre em torno de 4% (quatro por cento) com o agravante de descontos previdenciários nos mesmos patamares, além de correção da tabela do imposto de renda...
 
Para não me estender muito, os salários cresceram como já dissemos: como rabo de cavalo, ou seja, cresceram para baixo. Com todas essas mazelas, o nosso salário cada vez ficou menor e o pior de tudo: Não podíamos reclamar. Ninguém tinha coragem para o confronto com a administração autoritária e dona de toda a verdade. Havia uma mão de ferro por todo lugar.

Era o Poder Absoluto, tal como o reinado dos tempos medievais de outrora. O Sindicato e a Classe quase sempre tinham as portas da administração fechadas. Era como bater de encontro a um portão de ferro fechado em todos os cantos. O diálogo com a classe - nunca, jamais... Mas, nesta vida tudo tem uma data marcada para novas transformações.

Deus quando fecha uma porta, abre muitas janelas: Surpreendentemente veio um novo governo. C

om o Governo Wagner, tivemos um Governo Democrático como jamais vimos em nosso estado. Só para falar da atenção do governo, na pessoa do digníssimo Secretário da Fazenda, Carlos Martins Santana, quantas vezes ele procurou o diálogo até mesmo com os seus opositores, para não falar com os da própria Classe e com o nosso Sindicato. E fez isto sem distinção de ser aliado ao governo atual ou da oposição. Toda a classe pode testemunhar o que estou dizendo, principalmente os colegas da Capital do nosso Estado e muitos também do interior. Na Assembléia Legislativa, tivemos a mesma atenção por parte dos Deputados, notadamente da situação e dos aliados ao governo.

A Oposição foi contra as nossas aspirações, mas fica perdoada porque como o próprio nome já diz: Oposição quase sempre é para contestar, para ficar contra ou do lado contrário... Às vezes, louvo o José Serra - porque mesmo na oposição, não puxa o tapete de Lula, mas promete fazer um governo ainda melhor. Acho que é uma maneira moderna de se fazer política e pode por isso mesmo, seguir adiante em matéria política. Mas sem a costumeira ofensa ou ausência de valores.


Com esse comportamento ele valoriza o Presidente e se valoriza também aos olhos do povo. Se fizesse como os outros, certamente passaria por antipático, no mínimo...

Eu já tenho 43 (quarenta e três) anos de trabalho, a maior parte na Secretaria da Fazenda (desde 1978). Já passei pelos governadores Waldir Pires, Nilo Coelho, Antônio Carlos Magalhães, César Borges e Paulo Souto. Nenhum deles foi melhor do que o Governador atual Jaques Wagner. Nem houve um Secretário melhor do que o Carlos Martins. Esses dois democráticos jamais beneficiaram meia dúzia em detrimento de toda uma Classe.

O que deu para o grande deu também para o pequeno. Beneficiaram os servidores da Ativa e não se esqueceu do servidor Aposentado, aquele que amargava grandes perdas e já as têm quase em fase de boa recuperação. Ajudaram a carregar o Estado e que já não têm mais a mesma força, nem o mesmo vigor de outrora e por isto mesmo, jamais deverão ser esquecidos ou deixados à margem do crescimento..

Eles precisavam de tão pouco - só um pouco de reconhecimento pelos trabalhos efetuados... Meu Deus, quanta ingratidão neste mundo vil!... Acho essas palavras ditas em linhas anteriores, muito pouco, pelo que eles fizeram (Governador e Secretário da Fazenda). Se quiserem mesmo saber, acho que ambos merecem, no mínimo, que se faça uma placa de reconhecimento por tudo que esses dois notáveis homens fizeram para a laboriosa Classe do Grupo Fisco da Bahia. Tenho certeza que jamais o Fisco baiano vai esquecer o que o governo atual fez.

As palavras voam com o tempo e o vento e, mesmo as nuvens douradas se deformam com a ação do tempo, mas a placa permanecerá para sempre para reconhecer os valores das pessoas de bem e também para que sirva de lições aos homens do um novo tempo, num breve futuro. Lembremo-nos, por fim, que ao recebermos um presente, sempre devemos procurar uma maneira, por mais simples que seja, de fazer uma retribuição. A ingratidão não tem morada nos corações de homens e mulheres de bem.
 
(José Arnaldo Brito Moitinho, auditor fiscal, Salvador, por email)