Economia

Tecelãs do assentamento Caritá na Bahia vendem peças a italianos

Um grupo de italianos vem todos os anos e leva nossos produtos para lá, diz tecelã
Cintia Melo , Salvador | 11/11/2012 às 13:14
Jovelina Andrade do Santos expõe suas peças
Foto: CM

Os teares estão a todo vapor no Assentamento Caritá, localizado no município de Jeremoabo (a 400 quilômetros de Salvador), no Território do Semiárido Nordeste II, na Bahia. É que as tecelãs do Cartiá, a cada ano, têm aumentado a produção artesanal de cachecol, redes, jogos americanos e de banheiro, mantas, cortinas, bolsas e colchas. Tudo produzido em fios de algodão.

 “A estimativa é de que em 2012 as vendas tenham chegado a R$ 30 mil” conclui um das tecelãs, Jovelina Andrade dos Santos, que ainda esclarece que o grupo não fechou a contabilidade do ano. Em 2011, Jovelina frisa que a Associação das Mulheres Empreendedoras do Caritá (Ame-Caritá) faturou R$ 20 mil na venda dos manufaturados. Os principais compradores são europeus.

 “Um grupo de italianos vem todos os anos e leva nossos produtos para lá. Eles encomendam peças pequenas que são mais leves”, relata. As tecelãs já estão produzindo, pois sabem que em janeiro de 2013, os italianos chegam. As peças do Caritã ainda são comercializadas em feiras regionais por todo o estado. Outros clientes, que conhecem a tecelagem, vão diretamente ao assentamento em busca dos produtos.

 A Ame-Caritá possui 16 membros, sendo que dois deles são homens. “Todos se adaptam bem ao trabalho”. De acordo com artesã, o esforço é grande, são três teares e duas máquinas de costura. A jornada de trabalho começa todos os dias das 6h às 17 horas. “O dinheiro tem ajudado a enfrentar as dificuldades do sertão, principalmente, nesse período de seca. Mas reservamos uma parte do lucro para deixar no banco para podermos comprar linhas”, comenta.

 Terra Sol

 O Incra/BA, através do Programa Terra Sol, está executando obras para ampliação da tecelagem do Caritá. O investimento é de R$ 82 mil. A iniciativa dará às tecelãs um galpão maior e criará espaço para estocagem dos produtos. Elas poderão dobrar a produção.  Além das intervenções de infraestrutura, o projeto do Terra Sol prevê a aquisição de equipamentos. Trata-se de um balcão de vendas, e três máquinas de costura para melhorar as condições de trabalho das trabalhadoras e trabalhadores.

Através de um convênio entre o Incra e a Fundação Juazeirense para o Desenvolvimento, Científico, Tecnológico, Econômico, Sociocultural e ambiental (Fundesf), pelo Programa Terra Sol, um equipe está produzindo um diagnóstico para ordenamento do turismo comunitário do local. A iniciativa também objetiva a promoção e comercialização de produção não-agrícola do Caritá.

 História

 Tudo começou há oito anos quando o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) doou dois teares para as famílias, além de promover o aprimoramento das tecelãs através de oficinas. Além disso, uma freira católica, Irmã Gabriela, intermediou com italianos a doação de recursos para a construção do atual galpão utilizado pela tecelagem. Jovelina lembra que trabalhavam embaixo de licorizeiros (palmeiras do sertão).

 A partir disso, a arte das tecelãs do Caritá passou a ser conhecida por um grupo de italianos. A Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) também costuma adquirir produtos da tecelagem como lembranças da companhia. “Nesses casos, quando precisamos de nota fiscal é a prefeitura de Jeremoabo que nos ajuda”, conta.