A cara de Löw aos 12 minutos dizia algo. A Alemanha não criava com contundência, tinha enorme dificuldade para construir o seu jogo. Àquela altura a França já esperava o erro para o bote. Aconteceu aos 27, com bela contribuição de Pogba, falha de Neuer, que espalmou para a frente, e presença de Griezmann, no lugar certo e na hora certa. Com o 2 a 0, os franceses chamaram os alemães. Lloris foi bombardeado, fez defesas importantes, outras tirou com os olhos. No fim, prevaleceram os gritos de “olé” e a festa dos donos da casa.
Definitivamente a França não foi Brasil, Marselha não foi Belo Horizonte, Vélodrome não foi Mineirão. Na véspera do aniversário de dois anos do 7 a 1, os alemães até entraram no clima da brincadeira, mas voltarão para casa mais cedo do que o esperado. Há um grande responsável: Griezmann, craque da semifinal desta quinta-feira e autor dos dois gols da vitória francesa por 2 a 0 - o primeiro em pênalti infantil de Schweinsteiger, o segundo num raro vacilo de Neuer. A decisão será contra Portugal de Cristiano Ronaldo, domingo, às 16h (de Brasília), no Stade de France.
A Grande Paris receberá os donos da casa numa terceira grande final, depois da Eurocopa de 1984 (no Parque dos Príncipes, na capital) e da Copa do Mundo de 1998 (no Stade de France, em Saint-Denis). As duas terminaram com título francês, com vitórias sobre a Espanha (2 a 0) e Brasil (3 a 0). Portugal será a próxima vítima?
A atuação desta quinta credencia Griezmann ao posto de craque da Eurocopa – há concorrentes de peso, como Bale e Cristiano Ronaldo, dividindo a opinião pública. A artilharia, no entanto, está praticamente garantida: ele chegou aos seis gols, três a mais que os demais candidatos (CR7, Giroud e Payet).
A Alemanha fez ótimo primeiro tempo. Kroos, Schweinsteiger e Özil conseguiram controlar o meio-campo, deixando Neuer confortável na maior parte do tempo – uma defesa em chute rasteiro de Griezmann logo no início de jogo foi o que lhe deu mais trabalho. O problema foi controlar a mão alemã, de novo a vilã. Nas quartas de final, contra a Itália, Boateng foi quem cometeu pênalti infantil que quase custou a eliminação à Alemanha. Agora, foi a vez do capitão Schweinsteiger, em lance com Evra. Griezmann não perdoou no último lance, e a França desceu em vantagem.