Esporte

BRASIL GOLEIA INOFENSIVO TIME DA BOLÍVIA NA ESTREIA DAS ELIMINATÓRIAS

O time da Bolívia foi um dos mais fracos que o Brasil já jogou em sua história
ZédeJesusBarrêto , Salvador | 10/10/2020 às 07:51
Roberto Firmino marcou duas vezes
Foto: Lucas Figueredo/CBF
 
Bom começo, claro, mas foi jogo de um time só. E seleção brasileira sobrou em campo, todo tempo, teve posse de bola, goleou ( 5 x 0 ), nalguns momentos aliviou, noutros desperdiçou chances e quase não foi molestado na defesa. Um triunfo fácil, na estreia, que dá confiança.

 Veremos contra o Peru, na terça, um osso mais duro de roer.
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 Em campo

  - O Brasil é a única equipe que participou de todos os mundiais, todas as Copas realizadas desde 1930, a primeira, no Uruguai.  A de 2022 acontecerá no Catar, a primeira em território árabe. Conjuga-se o verbo ‘classificar’ como dever, obrigação.  

  - No gramado da Arena em Itaquera (SP), hinos nacionais desafinados pelos atletas, e bola rolando, sob chuva de trovoada:

- Um início impressionante. Mal o árbitro apitou e a seleção trocou passes, sem os bolivianos tocaram na bola, Neymar esticou na esquerda, Firmino bateu cruzado, o goleiro Lampe espalmou no pé de Cebolinha, na pequena área, gol aberto, e Cebolinha chutou pra fora.  40 segundos. Dois minutos depois, Cebolinha cruzou na cabeça de Marquinhos, que testou livre, de frente, pra fora. Foram 10 minutos jogados praticamente nas imediações da área boliviana.
 - Gol ! 1 x 0, aos 15’. Cruzamento de Danilo, da direita, Marquinhos subiu livre e testou forte na linha da pequena área, abrindo o placar.

  Superioridade brasileira, ritmo de treino, ataque contra defesa. Aos 24, Coutinho tentou mas o goleiro salvou, tapeando a escanteio. 

- Gol ! 2 x 0, aos 30’, Firmino, escorando na pequena área um cruzamento rasteiro de fundo, da esquerda. 
  Coutinho, Cassemiro e Neymar perderam chances antes de o árbitro apitar para o intervalo. A Bolivia quase não passou do meio campo, não chutou uma bola sequer no arco de Wéverton. O time de Tite teve o domínio mas foi pouco contundente, pelas facilidades que teve, não forçou, aliviou, tirou o pé. 
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  Os bolivianos voltaram do vestiário mais destemidos, marcando mais forte, correndo, avançados. Mas... 
  - Gol ! Brasil 3 x 0. Logo aos 4 minuos, Neymar imprimiu velocidade pela esquerda e serviu cruzado e rasteiro para a penetração de Firmino que escorou de primeira e o goleirão aceitou por baixo das pernas.  

 Aos 6’, o primeiro chute dos bolivianos em gol, mas Wéverton trabalhou bem, espalmando pelo alto. No contragolpe, Neymar novamente deixou Firmino de cara mas o centroavante tirou o pezinho na dividida com o goleiro.  Aos 12’, Neymar rompeu a marcação e disparou de canhota, por cima. 

- Gol !  4 x 0, Rodrygo, aos 20 minutos. O garoto, que acabara de entrar no lugar de Cebolinha, estreou ! Coutinho cruzou da direita, forte, Rodrigo desviou de cabeça e a bola bateu no zagueiro Carrasco antes de entrar. 
   Coutinho driblou o goleiro e perdeu o ângulo, aos 22’, noutra chance clara de gol. Sairam Firmino e Thiago Silva para entrada de Richarlison e Felipe, aos 25.   
 
  - Gol ! 5 x 0;  Coutinho, fechando na pequena área e testando de cara um cruzamento de Neymar, da esquerda.   Minutos depois, gol anulado de Neymar (impedimento). Aos 46’, o astro bateu falta buscando o ângulo, mas o goleiro salvou. Podia ter sido mais.
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 A despeito da goleada, na estreia, é preciso ver o comportamento da equipe de Tite contra equipes mais fortes, tipo Uruguai, Colômbia, Argentina...  para que possamos fazer uma avaliação do que somos capazes. 
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  O Brasil de Tite : 
   - Wéverton, Danilo,Thiago Silva (Felipe), Marquinhos e Lodi (Alex Teles); Cassemiro (o capitão), Douglas Luiz e Phillipe Coutinho (Éverton Ribeiro); Everton Cebolinha (Rodrygo), Firmino (Richarlison) e Neymar.
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  Destaques: Superioridade coletiva brasileira, sobretudo. Defensiva sem problemas, Cassemiro sério, Coutinho sobrando e Neymar exagerando habilidades, dribles e passes de craque... 
O time boliviano mostrou-se muito frágil. 
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O próximo jogo do Brasil é contra o Peru, em Lima, terça-feira. Tarefa, em tese, mais complicada. Os peruanos empataram com o Uruguai ( 2 x 2) na estreia.   
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  Brasileirão / Série B

  De treinador novo (apostou em Barroca), o Vitória recebe neste sábado à tarde, no Barradão, o Avaí (SC). O objetivo maior do Rubro-negro, este ano, é subir, voltar à Série A. Para tanto precisa somar pontos, vencer os jogos em casa é indispensável, uma obrigação. Foco total, pois. Com as recentes derrotas na Toca, o Leão afastou-se do grupo dos quatro primeiros, caiu para o 11º lugar. É vencer ou vencer.    
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 Brasileirão / Série A 

 Domingo, no Rio de Janeiro, o Bahia de Mano Menezes encara o Fluminense (na parte alta da tabela) com o propósito de convencer seu torcedor de que a fase ruim passou e a página turva virou com o triunfo sobre o Vasco. Não vai ser fácil. Cada jogo é uma batalha e qualquer tropeço põe de novo a equipe próxima da zona de rebaixamento e no descrédito do torcedor. O crescimento implica numa sequência de bons resultados. Primeiro, afastar o fantasma da queda; segundo, sonhar com a primeira parte da tabela de classificação. 
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 Da coluna do Tostão:

  “A seleção e o futebol brasileiro são o reflexo da nossa sociedade, injusta, egoísta e com enormes diferenças sociais. Formam-se muitos meias e atacantes dribladores, individualistas, ávidos pelo sucesso, que querem chegar rapidamente ao gol. São os mais valorizados, endeusados, por qualquer belo momento. Por outro lado, não há um excepcional meio-campista, que jogue de uma intermediária à outra, construtor, com precisos passes, símbolo do jogo coletivo. São pouco valorizados. Com isso, há poucos garotos tentando jogar dessa forma.

 As grandes equipes precisam do passe e do drible, do jogo mais cadenciado e do mais rápido, do individual e do coletivo, da ambição e da razão”.