Política

PRESIDENTE LULA DEMITE MINISTRA DA SAÚDE NISIA E NOMEIA PADILHA

Em nota, o Palácio do Planalto confirmou a demissão de Nísia e reforçou que Lula "agradeceu à ministra pelo trabalho e dedicação à frente do ministério".
Tasso Franco ,  Salvador | 25/02/2025 às 19:47
Agradecimentos de praxe e caras de poucos amigos
Foto: Ag Brasil
   O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demitiu, na tarde desta terça-feira (25), a ministra da Saúde, Nísia Trindade. A saída era dada como certa e marca a segunda troca feita pelo petista na Esplanada em 2025. A partir de 6 de março, a pasta será comandada pelo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Alexandre Padilha, que é médico e ocupou o cargo durante o governo de Dilma Rousseff (PT).

Em nota, o Palácio do Planalto confirmou a demissão de Nísia e reforçou que Lula "agradeceu à ministra pelo trabalho e dedicação à frente do ministério".

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na tarde desta terça-feira, 25 de fevereiro, com a ministra da Saúde, Nísia Trindade. Na ocasião, comunicou a ela a substituição na titularidade da pasta, que passará a ser ocupada pelo atual ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, a partir da posse marcada para a quinta-feira, dia 6 de março", diz o comunicado.

O governo ainda não anunciou quem será o substituto de Padilha na SRI, responsável pela articulação entre o Executivo e o Congresso. O processo de fritura de Nísia se intensificou após pesquisas indicarem a queda de popularidade de Lula em meio a uma série de crises alavancadas por falhas do governo.

Lula se reuniu com Nísia nesta tarde para falar sobre a exoneração. Logo após, o presidente recebeu Padilha no Planalto. Mais cedo, a ministra participou de um evento ao lado do mandatário para anunciar o acordo com o Instituto Butantan para a produção de 60 milhões de doses da vacina contra a dengue por ano.

Durante a cerimônia, Nísia foi aplaudida pela plateia mais de uma vez. Ela não mencionou a possível demissão. Lula não discursou e também silenciou ao ser questionado diretamente sobre o tema. No último dia 21, a ministra afirmou que seguia “firme” com o trabalho e minimizou os rumores de demissão.

“Continuo com a minha agenda, continuo com o meu trabalho. O presidente Lula afirmou na reunião com Portugal que ele não está colocando reforma ministerial na mesa, mas qualquer momento, como é natural nos governos, ele poderá fazer substituições”, disse Nísia em entrevista à rádio CBN Maringá.

O chefe de Executivo já avaliava uma reforma ministerial antes dos resultados negativos dos levantamentos, que reforçaram a necessidade de acomodar aliados na tentativa de reforçar a base de apoio. A crise do Pix deu o ponta pé inicial nas mudanças com a substituição de Paulo Pimenta por Sidônio Palmeira na Secretária de Comunicação Social (Secom) da Presidência, no início de janeiro.

Com orçamento de R$ 239,7 bilhões, o Ministério da Saúde é uma das pasta mais cobiçadas do Executivo. A percepção é de que Nísia não conseguiu entregar os projetos que seriam a vitrine da pasta no Lula 3. Desde o ano passado, Nísia Trindade vinha acumulando uma série de críticas a sua gestão na pasta da Saúde, como a explosão de casos de dengue e vacinas vencidas, além de desvios de emendas.

Houve atraso na compra e distribuição de vacinas contra a Covid-19 em 2024, o que foi negado pela ministra. O programa Mais Acesso a Especialistas também não saiu do papel. A iniciativa foi lançada em abril do ano passado, mas a primeira etapa só foi concluída em dezembro.

Além disso, a ministra precisou suspender uma nota técnica pró-aborto, alvo de forte repercussão negativa entre diversos setores da sociedade e pressão de parlamentares da oposição. O documento permitia a interrupção da gravidez a qualquer momento em caso de estupro.

Para substituir Padilha na SRI, o governo tenta buscar um nome equilibrado para manter uma boa relação com o Centrão. Os principais cotados são os deputados Isnaldo Bulhões (MDB-AL), Antônio Brito (PSD-BA) e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).