Política

VEREADORA DEFENDE REVISÃO DO MODELO CARNAVAL NA BARRA; MUDA NADA

“Moradores estão sendo expulsos do bairro”, disse em reunião com representantes da prefeitura e da comunidade
Tasso Franco , da redação em Salvador | 27/02/2026 às 20:11
A vereadora Aladilce, ao menos está debatendo a questão
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“Os moradores do circuito Barra-Ondina, do Carnaval de Salvador, estão sendo praticamente expulsos de suas casas durante todo o período, que é maior a cada ano, por causa do modelo do evento, que prioriza a festa em detrimento do direito de ir e vir da comunidade dos bairros residenciais, sem sequer ouvir seus representantes”. A avaliação foi feita pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB), que na noite de quinta-feira (26) participou de reunião com moradores da região e representantes da administração municipal. “Não adianta dizer que fizemos a maior festa do planeta, com milhões de pessoas, se os moradores não são respeitados”, alertou.

Além de Alessandro Castro, diretor da Prefeitura-bairro Barra/Rio Vermelho, esteve presente o vereador licenciado Alberto Braga, secretário municipal de Inovação e Tecnologia. Participaram do encontro representantes da Amabarra, da Associação de Moradores de São Lázaro e dos conselhos de segurança (Conseg) do Rio Vermelho e Ondina, que entregaram documento a Alessandro Castro detalhando os principais impactos na rotina dos bairros e pedindo providências.

Equilíbrio

Aladilce defende a revisão total do modelo da festa, para evitar os transtornos causados durante todo o verão. E frisa que não se trata só dos camarotes, que começam a ser montados muito antes e o processo de retirada é muito lento, afetando toda a rotina dos bairros. “Vai muito além”, afirmou, destacando o caso do Camarote Salvador, em Ondina, que a cada ano ocupa uma área pública maior, incluindo toda a praça existente na praia, considerada a única área pública de lazer do bairro. "Até o acesso à praia é privatizado nesse trecho", denunciou, comunicando que pedirá reunião com a Superintendência do Patrimônio da União (SPU) sobre o assunto.

Aladilce se comprometeu, também, a solicitar a realização de audiência pública, em conjunto com a Comissão do Carnaval, na Câmara, para debater todos os pontos apresentados pela comunidade. Outra questão apontada foi a altura do som dos trios elétricos, que superam os decibéis permitidos por lei, considerando que o circuito atravessa bairros residenciais. "A organização da festa precisa ouvir os moradores da área, justamente os mais impactados por esse modelo de carnaval", reforçou a vereadora. Aladilce assumiu o compromisso, também, de agendar a participação de representantes da região na Tribuna Popular da Câmara Municipal, que acontece às segundas-feiras, e defender a presença dos moradores no Conselho do Carnaval.

Nos últimos anos, segundo relatos dos moradores, passaram a montar grandes palcos, o que sobrecarrega o circuito, sem qualquer limite de altura do som nem de horário. “As pessoas que moram lá, e são muitos idosos, não descansam. Muitos são praticamente expulsos de suas casas. A verdade é que a Barra é ocupada durante o período do carnaval por um público de fora, já que o atual modelo impede o direito de morar no bairro, de circular, ir à praia. Diferentemente do circuito do Campo Grande, que é predominantemente comercial, o Ondina-Barra é todo residencial, e esse direito não pode ser menosprezado. Tem que haver um equilíbrio entre a festa, a alegria, a dança, que é coisa muito boa, e a vida das pessoas que vivem ali e pagam impostos”, ressaltou a vereadora.

Segundo ela, são muitos detalhes que precisam ser discutidos, como a instalação dos banheiros químicos, dos camarotes que estreitam o circuito, a falta de vias de escape. “Por exemplo, ninguém planejou o que fazer se tiver uma tragédia”, pondera. E acrescenta que os equipamentos são montados no circuito sem um planejamento que leve em conta a vida das pessoas dos bairros: “Só pensam na festa, não se pensa nas pessoas, nos moradores. Então a dinâmica de montagem de infraestrutura da festa é feita para trios elétricos passarem, para as pessoas pularem, mas não se pensa que a vida continua durante o período do carnaval, de pré-festa e de pós-festa, a vida continua e as pessoas que têm que conviver precisam ser priorizadas e ouvidas”.

COMENTÁRIO DO BJÁ

Mora na Bahia há 60 anos. Vi o Carnaval renascer na Barra depois que brilhou por muitos anos nos clubes e ocupou as ruas a partir dos anos 1990, de fato, os moradores não são ouvidos para nada; porém, também não saão expulsos., A questão básica é que dinâmica do Momo não é estabelecida por órgãospúblicos nem vontades politicas. Nara mudará, salvo, as evoluçõs que vão acontecendo a cada ano por quem faz o Carnaval: os trios, os blocos, os camarotes, os foliões.