Política

WAGNER FAZ COBRANÇA DA CHAPA DEFENDE GERALDINHO E DIZ: CHEGA DE ESTICA

Governador Jerônimo ainda não se posicionou sobre a fala de Wagner
Tasso Franco ,  Salvador | 19/03/2026 às 16:04
O senador Jaques Wagner na entrevista a Metropole
Foto: REP
  Em entrevista na Rádio Metrópole, nesta quinta-feira, 19, o senador Jaques Wagner, lider do governo no Senado e principal articulador politico do PT na Bahia, governador eleito que pusou a fila do petismo a partir de 2007 cobrou publicamente do governador Jerônimo Rodrigues (PT) quie seja definida a composição da chapa majoritária ainda este mês. 

   O parlamentar demonstrou impaciência com o ritmo das negociações internas sobre aa vaga de vice-governador e defendeu a manutenção do nome de Geraldo Jr (MDB), atyual vice-governador.

  “Ele próprio (Jerônimo) disse que ia fazer o negócio até o final de março. E eu espero que resolva. Por mim batia o martelo e não ficava nesse estica e puxa que tá aí”, advertiu o senador.

   A posição de Wagner reflete o impasse em torno da tese da chapa “puro-sangue”, composta por ele, o governador e o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). O MDB pleiteia se manter na vaga de vice e ameaça um racha. Há um clima de tensão porque o AVANTE também quer a vaga. E, no puxa e estica citado por Wagner, o governador chegou a colocar no jogo o PSD de Otto Alencar.

   Enquanto, isso, talvez seja essa a pressa de Wagner a oposição liderada pelo ex-prefeito ACM Neto (União), pré-candidato ao Palácio de Ondina já formatou sua chapa e vai anunciá-la dia 30.

   Para Wagner, o foco do eleitorado deve estar na cabeça da chapa, minimizando o impacto isolado das composições auxiliares na atração de votos. “As pessoas vão olhar muito para a candidatura de governador. Não vamos dizer o vice é importante, é claro que é importante, mas eu diria que o puxador de voto é o candidato a governador. E o time, os dois senadores, na minha opinião, é isso que efetivamente vai puxar. E a candidatura do presidente da República”, analisou.

“A gente está organizado, os dois senadores. E agora é pé na estrada e já estamos. Segunda-feira tem reunião em Brasília, já estão organizando a campanha dos dois senadores, a campanha do governador já tem marqueteiro. Estão andando, pode ser que podia ser mais rápido, mas é assim mesmo, democracia dá um trabalho retado”, ponderou Wagner.

Ao comentar as recentes baixas no conselho político, Wagner deu como encerrado o episódio envolvendo a saída do senador Angelo Coronel (agora do Republicanos) da base. O ex-aliado rompeu com o grupo após o PT indicar a preferência por uma chapa “puro-sangue”, o que limitaria as pretensões de reeleição de Coronel pelo PSD.

“O grupo está unido. Tivemos o problema lá com o Angelo Coronel. Está superado esse problema, ele tomou o caminho dele. E nós estamos apressando para resolver”, afirmou o petista.

Sobre a disputa presidencial, Wagner previu um embate acirrado e marcado por margens apertadas, refletindo um fenômeno global de divisão social. “O mundo está meio que rachado ao meio. Então não tem eleição 60 a 40, tudo é 55 a 45, 53 a 47. Não tem eleição fácil. Toda eleição hoje é muito disputada. É uma eleição com um clima extremamente preocupante”, alertou o senador.

Ele defendeu a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como um pilar de estabilidade democrática e defendeu que o sucesso do petista ultrapassa as fronteiras do Brasil. “A eleição do presidente Lula no Brasil é importante não só para o Brasil, porque ele é reconhecidamente um grande estadista. Eu considero que a eleição no Brasil tem um significado, sinceramente, mundial. Pela paz mundial, porque ele passa essa serenidade, passa essa segurança e essa defesa da paz e da democracia”, afirmou Wagner.

O senador também utilizou indicadores econômicos para sustentar o otimismo da base aliada para 2026, citando avanços no mercado de trabalho e no comércio exterior. “Estamos com a menor taxa de desemprego, a maior renda familiar, abrimos mais de 500 frentes de novos mercados e fechamos o ano com aumento da ordem de 13% das exportações brasileiras. Eu que acredito nesse projeto capitaneado pelo presidente Lula, vou trabalhar muito para que a eleição dele se consolide”, garantiu.

Defesa sobre BN Financeira e Banco Master
Jaques Wagner também aproveitou o espaço para se defender das investigações que envolvem a empresa BN Financeira, ligada a familiares de seu enteado, e supostos repasses do Banco Master. O senador negou qualquer participação nos negócios da empresa e cobrou que a justiça diferencie as condutas.

“A questão do Master virou escândalo nacional. A gente precisa separar o joio do trigo, tem muita trabicagem sendo feita. Estou muito tranquilo. Ano de eleição também é ano de especulação”, declarou.

O parlamentar foi enfático ao dizer que não possui explicações a dar sobre o mérito da investigação, uma vez que não gerencia as atividades da firma. Wagner informou ainda que a defesa dos sócios já protocolou uma petição junto ao ministro André Mendonça, do STF, abrindo todos os sigilos fiscais e bancários para acelerar a apuração.

“Chamo de nora porque é esposa do meu enteado, mas não tenho nada a ver com isso. Não tenho nada a explicar, porque não tenho nada a ver com isso”, pontuou.

A empresa, em nota, reforçou que os contratos com o Banco Master entre 2022 e 2025 foram regulares e declarados à Receita Federal. Wagner reiterou que apoia a transparência total no processo para encerrar as especulações políticas.

“Eles já prestaram esclarecimentos. O advogado ofereceu acesso a dados fiscais e bancários, além de outras informações consideradas necessárias. Estou muito tranquilo em relação a isso”, concluiu o senador.

  "Espero que resolva logo. Ele próprio (Jerônimo Rodrigues) disse que ia fazer o negócio até o final de março, e eu espero que resolva. (...) Por mim, batia o martelo e não ficava nesse estica e puxa que está aí", declarou Wagner, em entrevista à rádio Metrópole, ao acrescentar: "Vou ver, se no dia 30, eu venho aqui e bato isso aqui".