Os números da campanha 2022 mostram que quase 20% dos votos foram Lula e Neto, mais precisamente segundo o TS 19.33%
Tasso Franco , da redação em Salvador |
15/05/2026 às 15:22
Lula e Neto são parceiros sem querer dos eleitores
Foto: DIV
Em ano eleitoral pululam os marketeiros políticos de plantão embalados pelas plataformas digitais falando um monte de bobagens, na maioria dos casos. As mais recentes dizem respeito a uma provável aliança entre ACM Neto e o candidato a presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, textos que expõem e asseguram ser Neto um bolsonarista – fenômeno que aconteceu também em 2022 em relação ao pai de Flávio, Jair Bolsonaro, e uma aliança com ACM Neto – exatamente para fazer o contraponto com Lula. E, nesse embalo colocam, ACM Neto como adversário vigoroso de Lula.
Ora, ACM Neto é adversário de Lula politicamente, porém, não vai criticar o presidente (como não criticou em 2022) porque uma parte dos votos que teve, em 2022, na última campanha foram de eleitores Lula-Neto. Isso é fácil de comprovar pelos números do segundo turno da campanha quando ACM Neto obteve 47.21% dos votos válidos e Lula 72,12% dos votos válidos na Bahia. Ora, se Neto era bolsonarista como se dizia e Jair Bolsonaro só obteve 27.88% dos votos na Bahia vê-se que há uma diferença entre os votos obtidos por Neto (47.21%) e os obtidos por Jair (27.88%), o que corresponde a 19.33%.
Onde, então, ACM Neto conquistou esses 19.33%? Obviamente, com Lula uma vez que Jerônimo Rodrigues, o governador eleito, só obteve 52.79% dos votos. Veja que há uma diferença dos votos válidos para Lula (72.12%) para Jerônimo (52.79%) de 19.33%. E quem abocanho esses 19.33% foi ACM Neto.
Então, não adianta o petismo difundir como agora que ACM Neto é bolsonarista e inimigo fidagal de Lula porque, nem Neto vai falar mal de Lula; nem Lula de Neto. Lula não é bobo, sabe fazer politica muito mais do que esses petistas raivosos e esteve ontem, em Salvador, mas, nada falou de Neto. Ele sabe, pelos números e por sua experiência que alguns dos seus eleitores votam casados Lula-Neto.
Pelo que podemos observar a situação atual se assemelha com a de 2022. Lula segue sendo favorito na Bahia para presidente, os candidatos ao Senado do PT, idem (o mesmo que aconteceu em 2022, Otto Alencar x Cacá Leão) e há uma disputa renhida entre Jerônimo x ACM Neto., no momento, Neto à frente de Jerônimo.
Observem que, em 2022, foi a primeira vez que aconteceu uma disputa de segundo turno na era petista baiana (a partir de 2007), Jerônimo obtendo 49.45% dos votos. ACM Neto 40.80%; João Roma 9%; e Kleber Rosa 0.59%.
A mudança e justificativa para que ACM Neto, hoje, esteja na frente de Jerônimo é o fator João Roma, o qual, em 2022, como candidato a governador teve 738.711 votos e era adversário de Neto. Hoje, são aliados e Roma é candidato ao Senado.
Então existem esses indicadores que modificam o cenário. Em 2022, Otto Alencar se elegeu com 58.32% dos votos (muito mais votos que Jerônimo), Cacá Leão tece 25.25% e Dra Raissa 14.61%. Em 2026, não existe Dr Raisssa e sim João Roma e na última pesquisa Quaest o candidato do PT melhor pontuado é Rui Costa com 48.8% depois Wagner 40.6% seguidos por João Roam 24.8% e Angelo Coronel 23.2%.
São cenários diferenciados uma vez que existem os desgastes dos governos Lula e Jerônimo. Lula aparece na Quaes/Bahia com 55% e Flávio 22% e 15% ainda de indecisos; e Jerônimo mesmo com 3 anos e 5 meses de governo, Quaest/abril tem 37% contra 41% de ACM Neto; Ronaldo Mansur PSOL 1%.
A campanha propriamente dita ainda não começou e os indicativos dos marketings das campanhas de ACM Neto e de Jerônimo Rodrigues seguem, agora, roteiros diferenciados de 2022.
O alvo de Neto, agora, é Jerônimo/desgaste e não Jerônimo/candidato de Rui (2022) pouco conhecido e virgem do ponto-de-vista político. Agora, o foco de Neto tem sido atacar Jerônimo (promessas não cumpridas, área da segurança, ensino de baixa qualidade, etc) e deverá seguir nessa trilha, sem fazer referência a Lula, no máximo criticando os 20 anos do petismo na Bahia; e o de Jerônimo, deverá ser o mesmo de 2022, reforçando integrar o time de Lula, pela ordem Lula puxando sua campanha e mais o reforço dos senadores.
E provável, também que Jerônimo no decorrer da campanha exponha as realizações do seu governo para fazer o contra ponto de pagador de promessas; isto é, prometeu e fez; um carimbo contra o que Neto já vem usando prometeu e não fez.
Esses são os caminhos que vislumbramos na atualidade que podem ser modificados mais adiante a depender do andar das campanhas, Jerônimo agregando-se a Lula ou nacionalizando a campanha; e ACM Neto regionalizando a campanha e focando somente em Jerônimo e mais na autonomia de um governo que pode caminhar com suas próprias pernas tendo como exemplo a Prefeitura de Salvador.
Lembrando, ainda, que Lula venceu Bolsonaro em 415 municípios dos 417 da Bahia (só perdeu em Buerarema e Luis Eduardo Magalhães) e Jerônimo venceu em 364 com ACM Neto sendo vitorioso em 53 municípios. Há, também mudanças nesse cenário, diante do desgaste do governo Jerônimo.
Diriaa, para fechar esse comentário que Lula e Neto são parceiros nas urnas, mesmo adversários um do outro, pois, esse é o desejo do eleitor e ele é soberano na escolha. O marketing pode influir, as campanhas são movidas nessas direção, mas, ninguém controla o eleitorado 100%. Lula sabe disso e Neto também sabe. Perdem tempo aqueles querem forçar o adverso. (TF)