Universidade pública não é comitê eleitoral de Lula, de Jerônimo ou de partido nenhum. Se querem fazer campanha, que façam nas ruas, nos comitês e dentro das regras eleitorais, diz deputado
Da Redação , Salvador |
21/08/2026 às 06:38
Diego Castro foi verificar panfletagem de Lula na Facom e discutiu com estudantes
Foto: REP
O deputado estadual Diego Castro (PL), candidato à reeleição na Assembleia Legislativa da Bahia se envolveu em uma confusão na manhã desta quinta-feira, 20, no campus da Universidade Federal da Bahia, em Salvador.
A Universidade Federal da Bahia (Ufba) divulgou na tarde desta quinta-feira (20), uma nota oficial sobre o episódio evolvendo o deputado estadual do PL, Diego Castro, no prédio da faculdade de comunicação. A universidade declarou que a “naturalização da violência, com fins políticos, não pode ser admitida”. Diante da gravidade do episódio, a Ufba solicitou um posicionamento da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) e pediu que a Casa adote, com urgência, as providências cabíveis em relação à conduta do parlamentar.
Por volta das 20h desta quinta-feira (20), a ALBA se pronunciou e afirmou que a conduta atribuída ao deputado Diego Castro (PL) não representa o posicionamento institucional da Casa. A Assembleia também informou que foi formalizada uma representação para apurar possível quebra de decoro parlamentar. Contatado pelo Taktá, Diego não se pronunciou até a publicação desta matéria.
O espaço para posicionamentos segue em aberto.
A instituição declarou repúdio a atos de violência, intimidação e desrespeito ocorridos nas dependências da Facom. De acordo com a UFBA, a movimentação de Castro e de sua equipe teria interrompido uma atividade de recepção aos calouros e provocado confronto verbal e físico com estudantes, professores, servidores e profissionais terceirizados.
A universidade afirma que o estudante Tobias Muniz, presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Comunicação (Facom), foi empurrado por um integrante da segurança do deputado e ficou ferido. O diretor da Facom, professor Washington Souza Filho, também teria sido ameaçado ao tentar garantir o funcionamento e a segurança da unidade.
A unidade de ensino afirmou que registrou um Boletim de Ocorrência e realizou exame de corpo de delito no estudante Tobias. Segundo a universidade, as medidas foram tomadas com acompanhamento da Coordenação de Segurança da UFBA (COSEG).
A instituição também informou que a Reitoria pretende procurar a Superintendência da Polícia Federal para estabelecer um protocolo de cooperação mais intenso, especialmente durante o período eleitoral, com o objetivo de adotar medidas preventivas e de segurança no campus.
Diego Castro contesta versão da UFBA
Após o episódio, Diego Castro também registrou um Boletim de Ocorrência e apresentou sua versão sobre o caso. Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado afirmou que ele e integrantes de sua equipe foram agredidos por estudantes que, segundo ele, seriam militantes de esquerda.
Castro disse que esteve na UFBA após receber denúncias de estudantes de direita sobre a presença de adesivos do PT nas dependências da universidade. Segundo o parlamentar, sua equipe foi ao local para verificar as denúncias e retirar as colagens.
“Universidade pública não é comitê eleitoral de Lula, de Jerônimo ou de partido nenhum. Se querem fazer campanha, que façam nas ruas, nos comitês e dentro das regras eleitorais. O que não pode é transformar um espaço mantido com dinheiro público em extensão de campanha política”, disparou o parlamentar bolsonarista.
NOTA DA ASSEMBLEIA
A Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALBA), em relação ao fato ocorrido nesta quinta-feira (20), no campus da Universidade Federal da Bahia (UFBA), envolvendo o deputado Diego Castro (PL), esclarece que a conduta em questão não representa o posicionamento institucional desta Casa Legislativa.
A ALBA informa ainda que foi formalizada representação solicitando a apuração de possível quebra de decoro parlamentar. O procedimento seguirá os trâmites previstos no Regimento Interno da Assembleia Legislativa.
A representação será submetida à apreciação da Mesa Diretora e, cumpridas as etapas regimentais, seguirá para o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, a quem caberá a análise da matéria, assegurados o devido processo e o direito à ampla defesa.
A Assembleia Legislativa reafirma seu compromisso com o respeito às instituições, às normas regimentais e às prerrogativas constitucionais do Parlamento.