Política

LANÇADO COMITÊ BAIANO DE NEGROS E NEGRAS POR JERÔNIMO E LULA


Margareth Menezes destaca participação política da população negra e o protagonismo das mulheres durante lançamento de comitê em Salvador
lLR , Salvador | 23/08/2026 às 11:54
Presença de Margareth Menezes
Foto: Victor Fernandes
Margareth Menezes, participou, neste sábado (22), em Salvador, do lançamento do Comitê Baiano de Negras e Negros por Jerônimo e Lula. A iniciativa reuniu lideranças dos movimentos negros, povos de terreiro, representantes de diferentes tradições religiosas, coletivos culturais, organizações sociais comprometidas com a promoção da igualdade racial.

Em sua fala, Margareth destacou a importância do espaço para o debate e construção de políticas públicas de enfrentamento ao racismo. “É uma questão de reparação, da construção de um país mais justo e de políticas sociais capazes de chegar a quem mais precisa. Este é um momento muito importante e uma oportunidade imensa para o País”, afirmou.

Filha de pescador e de uma pescadora e marisqueira de Ilha de Maré, Margareth relembrou sua origem periférica e relatou os desafios que enfrentou ao assumir um dos principais espaços de direção da política cultural do país, o Ministério da Cultura.

“Quando o meu nome surgiu, a primeira coisa que apareceu foi uma dúvida sobre a minha capacidade de estar naquele lugar. Principalmente porque sou uma mulher negra, porque venho da periferia e porque represento as pessoas pobres, os lutadores e as lutadoras”, declarou.

Margareth também destacou os avanços das políticas de reparação racial no Governo Federal, com a retomada do Ministério da Cultura, a recriação do Ministério da Igualdade Racial, a criação do Ministério dos Povos Indígenas e a presença de ações afirmativas nas políticas públicas.

“Temos políticas afirmativas em todas as políticas que estamos fazendo no Governo Federal e também nas políticas do Ministério da Cultura. Ainda não está perfeito e temos muita coisa a fazer, mas a estrutura do racismo começou a rachar. Existe uma ponta de lança, um martelo batendo constantemente, e não podemos retroceder”, afirmou.

Realizado em Salvador, o lançamento do comitê ganhou, segundo Margareth, um significado ainda mais expressivo por acontecer na capital de um estado cuja história social, política e cultural foi profundamente construída pela população negra.

“O nosso estado, a nossa cidade, precisa dar esse exemplo, pois temos a maior população negra do Brasil. Então, precisamos compreender o significado disso e colocar gente preta nos lugares de poder. Não estamos aqui para discriminar ou competir. Estamos falando da reparação necessária para construir um país mais justo, digno e com toda a diversidade que forma o Brasil”, concluiu Margareth Menezes.