Salvador

SEM TROVÕES E RAIOS, POVO DE SANTO REVERENCIOU STa BÁRBARA EM SALVADOR

Santa Bárbara não é Iansã; e vice-versa. Mas, se mistura e adeptos do candomblé que também são católicos reverenciam a santa e a orixá
Tasso Franco ,  Salvador | 04/12/2024 às 17:25
Andor dos menos criativos que já fizeram para a santa
Foto: BJÁ
  Começou com a cara de verão o ciclo de festas populares de Salvador neste 4 de dezembro com a missa e procissão para Santa Bárbara. Sem chuva, sem trovões, sem tumultos, sem ninguém dando santo na sede do CB, a santa católica foi reverenciada por milhares de pessoas no centro históricos de Salvador. No sincretismo religioso a santa representa Iansã, a orixá, que adota o vermelho na cor e é a representação dos raios, trovões, a sensualidade. 

   A santa é a patrona e padroeira do Corpo de Bombeiros cuja missão principal é combater as chamas. Por isso mesmo, sendo ela protetora dos raios e trovões, quando foi decapitada sua cabeça estourou como um trovão na Turquia do século III, e um raio riscou o céu e matou seu pai Dióscoro, que o havia denunciado por práticas cristãs. Bárbara é tambem protetora dos artilheiros (militares que disparam canhões) e mineiros (operários que trabalham com explosivos em minas). 

   As festas populares vão até fevereiro e se encerram no Carnaval, março de 2025. Depois de Santa Bárbara, a próxima festa é de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no dia 8 de dezembro. No dia 13, é a vez de Santa Luzia. No primeiro dia do ano, é a festa de Boa Viagem. Cinco dias depois, a Festa de Reis ocorre na Lapinha. No dia 16 de janeiro, Lavagem do Bonfim e no dia 31 de janeiro São Lázaro. No dia 2 de fevereiro ocorre o Dia de Iemanjá. Por fim, no dia 21 de fevereiro será celebrada a Lavagem de Itapuã.

   Hoje, para reverenciar a santa teve alvorada de fogos de artifício, salva de clarins e missa campal um pouco acima da Igreja de Nossa Senhora do Rosário Pretos, celebrada pelo padre Lázaro Muniz.  Após a missa os fiéis seguiram em procissão pelo Terreiro de Jesus, Sé, Misericórdia, Ladeira da Praça, Quartel do Corpo de Bombeiros, Baixa dos Sapateiros até o Mercado de Santa Bárbara onde foi servido um caruru.
 
  A festa contou com a presença de alguns turistas, poucos. Esta é uma manifestação do povo de santo da cidade. E o que se viu, de fato, foi a população majoritariamente negra e mestiça participando do evento com muita fé. A novidade deste ano foi uma missa realizada na Catedral Basílica pelo bispo auxiliar.  E muitos fiéis usando trajes na cor vervemelha. As baianas que trabalham no centro histórico estavam todas muito bonitas.

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   A banda de música do Corpo de Bombeiro, como sempre, acompanhou a procissão e também um trio elétrico tocando ijexá e a música "Santa Bárbara, a poderosa". O padre Lázaro seguiu no trio exaltando e animando os fieis. O comandate do CB esteve no QG da corporação para receber a imagem da santa e houve o toar as sirenes e a ducha d'água nos fieis. Mas, nenhuma filha de santo deu santo, o que sempre acontecia. 

   Neste 2024, o andor da santa estava bonito com rosas vermelhas e brancas, porém, foi dos menos criativos que já vi. Os andores para os outros santos também muito pobres. Mas, ninguém reclamou por isso. Depois da Santa Bárbara, creio, os santos mais reverenciados no cortejo são São Jorge e São Jerônimo. (TF)