É o caso da administradora de empresas Paula Noschese, de 39 anos. Solteira e bem sucedida, ela desembolsou em 2005 cerca de R$ 9 mil para congelar seus óvulos. A vontade de ser mãe é tanta que, se a cara-metade não aparecer, ela não descarta a possibilidade de recorrer a uma produção independente.
"Só o fato de saber que um óvulo mais novo me dará maiores possibilidades de engravidar já faz com que a tentativa valha à pena", diz ela. A decisão de Paula é justificável, tendo em vista que enquanto uma mulher de 30 anos tem 85% dos óvulos perfeitos, aos 40 essa porcentagem cai para 20%, segundo os especialistas.
A técnica de congelamento é realizada com sucesso no Brasil há cerca de dois anos. O procedimento é bem parecido com o de fertilização in vitro. Primeiro, a mulher recebe uma injeção para estimular a ovulação. Quando os óvulos já estão maduros, ou seja, os folículos atingem o diâmetro de 18 milímetros, eles são coletados com uma agulha acoplada a um ultra-som. Os óvulos, então, recebem um choque térmico e são mergulhados em uma temperatura de 196º C negativos.
"Antigamente não dominávamos a técnica e, na hora de descongelar, formavam-se cristais de gelo dentro do óvulo. A chance de gravidez a partir deste método era de apenas 1%", explica Arnaldo Cambiaghi, diretor do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia.
Mas, segundo ele, o aperfeiçoamento já permite que os óvulos sejam desidratados e congelados lentamente, aumentando os índices de sucesso. "Hoje em dia, 80% dos óvulos sobrevivem ao congelamento. Desses, 90% conseguem ser fertilizados e a taxa de gravidez é de 30%", diz Cambiaghi.
Apesar do que dizem as clínicas, ainda há controvérsia sobre a técnica. Para Jorge Hallak, do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas, o tratamento oferece um índice muito baixo de sucesso. "Os espermatozóides são pequenos e milhares.
No caso dos óvulos, que são 400 vezes maiores e têm que ser capturados, o congelamento é bem mais complicado", explica. Para Hallak, "esta é uma técnica experimental que se mostra promissora, mas não para agora".
Enquanto isso, no consultório do especialista em reprodução humana Roger Abdelmassih, há cerca de 30 pacientes com óvulos congelados. "De cada dez pacientes que nos procuram, duas irão se submeter a tratamentos oncológicos e oito não querem ser mães agora", ressalta.