Observamos nos circuitos do Carnaval de Salvador, especialmente no Barra-Ondina, uma quantidade enorme de trabalhadores informais da venda de bebidas, comidas e adereços com sobrepeso. A Organização Mundial de Saúde define pessoas com sobrepeso como aquelas com um Índice de massa corporal entre 25 e 30. Quando passa disso, a pessoa se torna obesa ou é considerada pelos médicos clínicos no nível de obesidade.
O que estamos vendo no pré-Carnaval é uma quantidade de pessoas - a maioria mulheres - nessa condição. São pessoas que integram o grupo classificado de baixa renda e que mora nos bairros mais afastados do centro da capital, cuja alimentação está estruturada a base de feijão, farinha, carne de segunda de ensopado, massa (macarrão) e refrigerante do tipo litrão.
E, por outro lado, devido a necessidade permanente de trabalho informal corre atrás das oportunidades (como é caso da temporada de verão de Salvador) e não pratica exercícios físicos orientados.
Há de se dizer que um ambulante (termo mais usado do que camelô) está sempre em movimento, mas, isso se dá mais no momento em que estão montando as suas estruturas de vendas. A partir daí, ficam o tempo todo sentados ou em pé. Não só eles, mas, as baianas de acarajé e vendedoras de comidas.
As últimas informações do Atlas Mundial da Obesidade apontam que há 1.9 bilhão acima do peso o que corresponde a mais de 20% da população mundial. Desse sub-total, 650 milhões estavam obesos, estimando-se em 50 milhões de crianças. Em 2025, o relatório SOFI confirmou que cerca de 673 milhões de pessoas (8,2% da população mundial) enfrentam a fome no mundo.
A classe média urbana mundial devido ao modus de vida nas cidades, a explosão demográfica das cidades a partir dos anos 1980, que ocupam 1% do território mundial e abrigam 55% da população (mais de 4 bilhões de pessoas) já existem mais de 30 cidades com mais de 10 milhões de pessoas cada, e isso tem causado efeito enorme na provocação do sobrepeso.
E o que acontece em Salvador com 2 milhões e 600 mil almas?
Culturalmente falando a população da cidade sobretudo a de baixa renda e de média renda se alimenta o que, no popular, se chama de "comida pesada" e a própria população diz, quando entrevistada, que sem isso, não consegue ficar em pé, trabalhar, etc.
Ou seja, sem comer mocotó, feijoada, carne, farinha, pão, café com leite a pessoa fica sem sustança. Noutras palavras: não dá para ser ambulante comendo folhas.
Essa questão cultural em Salvador é muito forte e tem raízes nas culturas tupinambá e africana e o petisco mais apreciado da cidade, o acarajé, é uma fritura também chamada de "bola de fogo". E, o baiano aprecia essa bola com ingredientes picantes (pimenta) e engordantes (vatapá, camarão, dendê, etc).
Como ajudar essas pessoas ou resolver esse problema?
Não conheço nenhum projeto tramitando na Assembleia Legislativa nem na Câmara dos Vereadores. Fala-se muito de proteção às mulheres, mas, nunca ouvi nenhum (a) deputado (a) ou vereador (a) falando nisso. Taí um bom tema para o ex-gordinho da Favela, vereador da capital.]
Enfim, o assunto é muito sério, não sou médico para comentá-lo do ponto de vista da saúde (sei que é um problema grave a obesidade, o sobrepeso), nem há estudos e estatísticas sobre esse problema em Salvador (e na Bahia). Pode ser que exista, mas, eu não conheço.
A Prefeitura de Salvador tem melhorado a logística do trabalho dos ambulantes nas festas populares e no Carnaval. Eis, portanto, um tema a mais a ser encarado. (TF)