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Tasso Franco

CASOS de estupros na ÍNDIA e na BAHIA: duas realidades diferenciadas

Neto fez um único elogio pessoal ao seu avô ACM e derrapou quando disse que Salvador é Patrimônio Cultura da Humanidade
01/01/2013 às 19:53

MIUDINHAS GLOBAIS:


  1. A morte da estudante indiana que sofreu um estupro coletivo no distrito de Janakpuri, Nova Delhi, causa a maior indignação no país e os 6 acusados pelo crime deverão ser condenados a pena de morte. Autoridades do governo, incluindo o primeiro-ministro Manmohan Singh, artistas da poderosa indústria do cinema Bolywood, cantores, intelectuais, mulheres, participam dessa consternação e protestos. Os festejos de final de ano no país foram suspensos.

  2. Veja como são diferenciados este caso indiano e o baiano que envolveu cantores da banda New Hit que estupraram jovens num ônibus, chegaram a ser presos e já voltaram aos palcos debochando da população com o beneplácito da Justiça, que os mandou libertar. Salvo a deputada Luiza Maia, PT, a secretária Lúcia Barbosa, SPM, e mais uma ou meia dezenas de vozes, se levantaram contra essa questão e estão a exigir da Justiça baiana o julgamento dos infratores e puinições.
 
   3. Essa banda já fez um show numa casa de espetáculo de Feira de Santana e ficou por isso mesmo. Algum artista baiano falou do caso? Algum músico famoso da Bahia fez protesto? Alguma autoridade do governo federal prometeu à família das vitimas justiçca? Nada. Pois, na Índia, além do primeiro ministro, aristas do porte de Depika Padukone e Ranbir Singh, Jaya Bachchan e Hema Malini, atrizes de Bollywood, foram às ruas em protesto.

   4. Estamos falando de artistas que têm um público muito mais do que qualquer artista brasileiro, com todo respeito, dado que a industria indiana de diversão e cultura é muito mais poderoso do que a nossa, rivaliza com Hollywwod, só para se ter uma idéia.

   5. Louve-se, portanto, a deputada Luiza Maia, PT, a única que se indigna com o caso New Hit e teve a coragem de cobrar uma decisão da Justiça Baiana.
                                                                     **
   6. O discurso de ACM Neto em sua posses foi politicamente correto. Prometeu apenas o que se apresenta ao alcance de sua gestão e pediu para ser cobrado pelos 4 anos de gestão e não por 100 dias ou 6 meses. Esse, aliás, o pedido que não será atendido pela imprensa uma vez que os governos são julgados anualmente, às vezes, semestralmente.

   7. Portanto, ACM Neto não espere por esse beneplácito da imprensa. As cobranças serão quase imediatas porque fazem parte da cultura da midia. Posteriormente, ainda que tenha feito esse apelo do não imediatismo, a imprensa fará uma análise mais abrangente de sua gestão.

   8. Além disso, tem as questões de naturza política e elas se apresentarão logo na reabertura dos trabalhos legislativos, na Câmara de Salvador e na Assembleia Legislativa. Neto, portanto, que prepare sua tropa de choque para defesa, se for o caso de dar alguma derrapada.
9. No mais, o discurso foi cauteloso, uma apelo ao entendimento com os governos estadual e federal, nenhuma crítica mais direta ao ex-prefeito João Henrique, reavisos de austeridade e eficiência para sua equipe, e apenas, em termos pessoais, um discreto elogio ao seu avô ACM.

   10. Como se tratava de um discurso de posse e não de ações do governo, Neto, ainda assim, deixou claro que vai tentar trilhar pela geração de empregos em Salvador tendo como principal alvo o turismo, esqueceu-se da TI, a apontou medidas emergenciais na saúde e na limpeza urbana. 

    11. Houve, no plano histórico, pequenos deslizes no discurso, primeiro que Thomé de Souza não tomou a decisão de construir Salvador no mesmo paço ou local do paço; e segundo que Salvador não é Patrimônio Cultural da Humanidade e sim o Centro Histórico de Salvador.