Rui desceu do palanque da campanha, definitivamente, e não fez promessas específicas durante sua primeira fala aos baianos
MIUDINHAS GLOBAIS:
1. O governador Rui Costa em seu primeiro pronunciamento após a posse, neste 1º de janeiro de 2015, adotou um tom moderado e de conciliação com sociedade, sem qualquer tipo de inovação, mostrando que pretende fazer um governo de continuidade ao de Wagner, o qual considera transformador, aprofundar essas mudanças e criar, definitivamente, o que chama de uma "nova Bahia".
2. Ao contrário do que pregou durante sua campanha política, optou por generalizar as ações que desenvolverá no governo, sem enumerar ou pontuar feitos, então prometidos, como 7 novos hospitais, 45 km de metrô, 320 mil alunos em escolas técnicas e assim por diante.
3. Centrado, cauteloso, Rui estabeleceu como premissa básica para essas novas e possíveis mudanças "a inclusão social e o desenvolvimento", duo que vai nortear o seu mandato. Nada de números, nem promessas especificas, e sim conceitos.
4. Penso que fez bem em assim agir, pois, lá adiante se for cobrado - como vai ser pela oposição e pela sociedade - poderá apresentar feitos em processo, em andamento, numa continuidade que vem de Wagner/Dilma - a quem elogiou bastante - na manutenção das estradas e ampliação, na consolidação da Fiol e do Porto Sul, na ampliação do Parque Eólico e dos programas sociais mais abrangentes como o Água e Luz para Todos.
5. A isso - o processo em andamento - Rui chamou de "construção de uma nova Bahia" e o segmento onde mais ousou - digamos assim - foi na área da Educação, reconhecidamente, um setor que o governo Wagner foi apenas mediano, enfrentou uma greve atropeladora, o Topa tem números que são diferentes os do governo do Estado aos do MEC, e onde a Bahia melhor se saiu foi no Pronatec e nos segmentos técnicos, a rigor, mais da banda federal do que estadual; como na criação das novas universidades federais.
6. Rui, agora, deseja um "Pacto pela Educação" com apoio de toda sociedade - fez bem em se amparar na sociedade - para que o estado no chamado ensino básico de segundo grau apresente um melhor desempenho do que no momento atual, bastante crítico se relacionado com comparativos a outros estados.
7. Ainda não está claro como Rui fará esse choque na educação. Ele diz que, já na primeira semana do governo, vai se reunir com diretores, professores e comunidade de uma escola pública, em Salvador. Nessa pasta, Rui manteve o secretário (Osvaldo Barreto) que vem se Wagner e, fora esse anúncio do Pacto e sua determinação em atuar à frente da educação, ainda falta clareza quais são os programas a serem aplicados na melhoria da qualidade do ensino e como vai se haver junto a APLB.
8. Na segurança e na saúde - dois pontos estratégicos e fragilizados do governo Wagner apesar dos avanços em alguns setores - Rui foi também bastante genérico e falou de uma "Polícia mais cidadã no atendimento a todos" e numa "saúde mais humanizada".
9. Na Segurança, Rui manteve o secretário que vem de Wagner, Maurício Barbosa, com boa e acumulada experiência, o Pacto pela Vida nesse setor com as unidades pacificadoras tem dado bons resultados, mas, a tarefa da 'Policia Cidadã' num estado a cada dia mais violento vai ser uma missão dificil. Na campanha, Rui disse que chamaria a sí essa responsabilidade promovendo reuniões semanais com o comando da SSP. A aguardar e conferir.
10. Na Saúde, ao que já estamos presenciando, pode estar acontecendo as maiores mudanças de gerenciamento do setor com a entrada de novo secretário - Fábio Vilas Boas - e as mudanças de todos os superintendentes. A SESAB avançou, mas, seguiu com Wagner o velho viés político que vem da época de ACM com Otto Alencar e outros. De sorte que, é onde se preveem as maiores mudanças. Rui foi contido e nada falou de suas promessas de campanha. Fez certo. Uma coisa é a campanha; a outra, a gestão.
11. Nessas três pastas - Educação, Saúde e Segurança - o governo Wagner teve assessorias de imprensa apenas medianas, com muito boa vontade.
12. No Desenvolvimento, mantendo James Correia, os sinais são de continuiade do que já vem sendo feito. A aposta é grande porque a Bahia, nessa área, concorre não só com o 'Sul Maravilha' detentor do maior PIB e preferencial na maioria dos projetos, e ainda enfrenta a concorrência do Ceará e de Pernambuco. Aqui, o Estado tem que ser mais inovador, mais audacioso, e como quer Rui, um planejamento mais orientado nessa direção, pode dar bons resultados.
13. No mais, Rui falou o que todos os governadores eleitos costumam falar, da ética acima de qualquer coisa; da vontade de trabalhar com todo afinco; da necessidade de um novo Pacto Federativo para equilibar as forças do NE com outras regiões do estado; da vontade e determinação em interiorizar as ações do governo para rincões mais distantes e assim por diante; e de melhorar a qualidade de vida das pessoas.
14. Essa decisão de levar o desenvolvimento para as regiões mais distantes dos centros produtivos tradicionais - a RMS, a RMF, Sudoeste, Sul, Recôncavo, Extremo Sul - é um dos maiores desafios de qualquer governador, ainda que, o pouco que se faça numa localidade como Vereda ou em Cocos tem repercussão nas comunidades. Isso vem desde o municipalismo de Lomanto Jr, em 1962.
15. Wagner fez isso levando pequenas coisas - que se tornam grandes - e visitou todos os 417 municípios. Mas, não se pode dizer que, levar uma ambulância para Botuporã seja grande coisa, embora sendo.
16. A Bahia é um estado do tamanho da França e por mais que se fale em interiorização, os pólos geradores de desenvolvimento - Camaçari, Feira, Oeste, etc - seguirão como carros-chefes do Estado.
17. Por fim, o novo governador foi bastante consciente de que, sozinho nada fará, e fez apelos nos projetos essenciais para que a sociedade se engaje - os sindicatos - donde veio - as associações, universiades, etc - e isso foi bom. Ademais, essencial para ele, a parceria com o governo federal.
18. Como o próprio Rui disse no final de sua fala - abstraimos aqui as considerações poéticas e o passado pobre do governador, ainda que sejam importantes, ele que é o primeiro classe-média-baixa a assumir o governo da Bahia - o momento agora é de "mãos à obra e colocarmos em prática tudo aquilo que sonhamos e planejamos".