Quem conhece o Museu Guggenheim de Bilbao projeto do arquiteto Frank Gehry não se surpreende com projeto do Hotel Marqués de Riscal, operado sob a bandeira de luxo The Luxury Collection da Marriott, nas dependências da vinícola obra do mesmo arquiteto.
Até parece um pouco com o Guggenheim, porém, diferenciado, pois se trata de uma escultura habitável que quebra totalmente os padrões tradicionais da arquitetura hoteleira. Essa planta tem apenas 14 apartamentos e há um anexo com mais 30 apartamentos totalizando 44 acomodações.
Não fiquei no hotel nem o conheci por dentro salvo a área circulante no térreo (externa) com visita para o povoado de Elciego onde se tem uma visão fantástica do local, E, depois, como também visitei o pueblo, tive a oportunidade da colher a visão do outro lado da fronteira, isto é, do Elciego para o hotel.
O design externo utiliza o estilo desconstrucionista característico de Frank Gehry, destacando-se no meio dos vinhedos centenários da Rioja Alavesa e grandes placas de metal onduladas e flutuantes parecem "abraçar" a estrutura de concreto.
O titânio é tingido em três tons marcantes: o rosa (representando o vinho tinto), o ouro (a malha que cobre as garrafas de Riscal) e o prata (a cápsula do gargalo da garrafa). As formas metálicas funcionam também como brises, que barram o sol forte e moldam a vista da paisagem ao redor.
Gehry também coordenou o design, mesclando o vanguardismo com muito conforto e materiais quentes. Janelas inclinadas, os quartos e áreas comuns possuem paredes de vidro geométricas e ziguezagueantes que emolduram a vila medieval de Elciego e os campos. Nesse sentido, imita o Guggenheim donde se tem uma visão de Bilbao percorrendo seus interiores.
O uso abundante de madeira clara contrasta com paredes curvas de gesso e tetos com pé-direito monumental ("estilo catedral"). Os ambientes são decorados com móveis desenhados pelo próprio Gehry e por outros grandes nomes do design internacional, como as icônicas poltronas vermelhas e pretas que trazem cor aos ambientes.
O hotel dispõe da ala original de Gehry e a ala nova, conectadas por uma passarela suspensa de vidro. No complexo, os hóspedes encontram o restaurante gastronômico, além de um exclusivo spa de vinoterapia que utiliza as propriedades da uva para tratamentos corporais. Estou descrevendo o que foi possível, mas, não me hospedei neste hotel (até gostaria). Fica para a próxima visita. Com diria a senhora Flávia Junqueira quando ganhar na loteria. (TF)