Cultura

IGREJA SANTO ANTÃO DE BILBAO É A MAIS ANTIGA DA CIDADE ERGUIDA SEC XV

O Brasil ainda não existia quando a igreja foi erguida ao lado do Mercado da Ribeira
Tasso Franco , Bilbao | 04/08/2026 às 10:19
Igreja de Santo Antão de Bilbao século XV
Foto: BJÁ

Santo Antão - fineza não confundir com Santo Antônio - ou Santo Antão Abade - considerado pai de todos os monges (nasceu no Egito, ano 251) não é cultuado em Salvador salvo por alguns monges. Em Bilbao há uma igreja emblemática à beira do Rio Nervion e ao lado do Mercado da Ribeira dedicada a este santo e erguida quando o Brasil ainda não existia como território de colonização portuguesa.

    O templo católico construído nos finais do século XV e pela sua história e localização, nas margens da Ria de Bilbau, junto à Ponte de Santo Antão, ao Mercado da Ribeira e ao antigo ayuntamiento, em pleno centro do Casco Viejo, o centro histórico da capital biscaína, fazem da igreja a mais popular da cidade, a ponto de figurar no seu escudo.

    Quase 300 anos antes da igreja ser edificada, existia no local onde se encontra uma lonja (armazém ou local de transações comerciais) de mercadorias fluviais. Quando em 1300 Diego López V de Haro, o décimo-primeiro senhor da Biscaia, outorgou a Carta Puebla (carta de foral) aos povoadores das margens do rio Ibaizábal, a antiga lonja foi incorporada no recinto urbano recém criado. 

  Em 1334 Afonso XI de Castela construiu no local uma alcáçova e uma muralha defensiva que também servia de dique contra as inundações. Os restos desta muralha foram encontrados em escavações realizadas em 2002 e atualmente podem ver-se atrás do altar da igreja. A visita guiada custa 18 euros e o ingresso normal (sem guia) 8 euros. 

    A alcáçova e o troço de muralha da zona foram depois demolidos para erigir no seu lugar uma igreja dedicada a Santo Antão, a qual foi consagrada em 1433. Tratava-se de uma construção de uma só nave, planta retangular e cobertura abobadada. Detrás do altar da igreja atual podem hoje ver-se restos das fundações da cabeceira da igreja original, de forma poligonal e construída em silhar, com blocos retangulares de arenito. 

    A primeira igreja esteve em serviço cerca de 50 anos, pois em 1478 planeou-se a sua ampliação por se ter tornado pequena para acolher uma paróquia em contínuo crescimento. A segunda construção, de traçado ainda gótica e planta quase quadrangular, ficaria concluída, na sua estrutura básica, nos primeiros anos do século XVI, cerca de 1510.

    O pórtico principal, de estilo renascentista, foi desenhado em 1544 por Juan de Garita e construído entre 1546 e 1548 por uma equipa de escultores liderada pelo franco-flamengo Guiot de Beaugrant. A varanda foi construída em 1559 pelo canteiro Juan de Láriz. 

    O que torna a Igreja de Santo Antão (Iglesia de San Antón) verdadeiramente especial vai muito além de sua bela arquitetura e por guardar segredos arqueológicos subterrâneos, curiosidades folclóricas divertidas e uma estrutura interna única.

    Escavações arqueológicas revelaram que a igreja foi construída diretamente sobre os alicerces da antiga muralha medieval de Bilbao e sobre as ruínas de um antigo armazém de mercadorias que funcionava ali muito antes da própria fundação oficial da cidade em 1300.

  A sua espetacular varanda externa voltada para a praça funcionou diversas vezes como palco e camarote privilegiado para os cidadãos assistirem a festivais e até mesmo a corridas de touros que aconteciam no vilarejo.

    Assim como dita a antiga tradição medieval, o solo abaixo das naves internas abrigou um movimentado cemitério paroquial para os moradores ilustres da vila. O interior da igreja é igualmente impressionante, com os seus tectos altos, vitrais e retábulos ornamentados. Os vitrais retratam ...World City TrailIglesia de San Antón (Bilbao) 

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  Santo Antão, também conhecido como Santo Antão do Egito, Santo Antão, o Grande, Santo Antão, o Eremita, Santo Antão, o Anacoreta, Santo Antão Abade ou ainda O Pai de Todos os Monges, foi um santo cristão do Egito, um líder de destaque entre os Padres do Deserto. Ele é venerado em muitas igrejas nas seguintes datas festivas: 30 de Janeiro, no antigo calendário da Igreja Ortodoxa e da Igreja Ortodoxa Copta; 17 de Janeiro, no novo calendário da Igreja Ortodoxa, da Igreja Ortodoxa Búlgara, da Igreja Católica Romana e da Igreja Católica Copta.

Uma vez que o seu nome latino é Antonius, em traduções displicentes de obras onde o seu nome figura, o nome do santo tem sido vertido para a língua portuguesa como António do Deserto, Antônio Abade [2], do Egito, o Grande etc., sendo um nome que, de resto, se mantém nas demais línguas europeias. Isso, porém, tem suscitado confusões pela homonímia com o Santo António. Por se tratar de dois santos distintos, para melhor diferenciá-los é preferível optar pelo nome — já consagrado pela tradição vernácula — de Santo Antão.

Um ícone copta, mostrando no canto inferior esquerdo, Santo Antão com Paulo de Tebas, o primeiro eremita. A vida de Santo Antão foi relatada por Santo Atanásio de Alexandria, na Vida de Antônio (em latim: Vita Antonii; cerca de 360). Segundo Atanásio, Santo Antão teria nascido em 251 na Tebaida, no Alto Egito, e falecido em 356, portanto com 105 anos de idade.

Cristão fervoroso, com cerca de vinte anos tomou o Evangelho à letra e distribuiu todos os seus bens aos pobres, partindo de seguida para viver no deserto. Então, segundo o relato de Atanásio, Santo Antão foi tentado pelo Diabo, tal como sucedera com Jesus, mas por muito mais que os quarenta dias que durou a tentação de Jesus, não hesitando os demónios em atacá-lo. Porém, Antão resistiu às tentações e não se deixou seduzir pelas tentadoras visões que se multiplicavam à sua volta.

O seu nome começou a ganhar fama por ser exímio na arte de pastorar. Isso o levou a ser venerado por numerosos visitantes, sendo visitado no deserto por inúmeros peregrinos.

Em 311, viajou até Alexandria para ajudar os cristãos perseguidos por Maximino Daia, regressando em 355 para impugnar a doutrina ariana. Foi considerado santo em vida, por ser capaz de realizar milagres e levou muitos à conversão.

A vida de Santo Antão e as suas tentações inspiraram numerosos artistas, como Hieronymus Bosch, Pieter Brueghel, Dali, Max Ernst, Matthias Grünewald, Diego Velázquez e Gustave Flaubert, por exemplo.

Os religiosos que, tornando-se monges, se adaptaram o modo de vida solitário de Santo Antão, chamaram-se eremitas ou anacoretas, opondo-se aos cenobitas que escolheram viver em comunidades monásticas.

Em 1095, foi fundada uma ordem à qual foi atribuído o seu nome: os Antonianos (Canonici Regulares Sancti Antonii – CRSA).