Política

LAVAGEM DO BONFIM, A FÉ QUE REMOVE MONTANHAS E TIPOS POPULARES (TF)

Os tipos populares foram as maiores atrações da Lavagem do Bonfim
Tasso Franco , da redação em Salvador | 15/01/2026 às 20:12
O vaqueiro e a carnavalesca do polo Norte
Foto: BJÁ
  
LAVAGEM DO BONFIM, A FÉ QUE REMOVE MONTANHAS E OS TIPOS POPULARES

1. A Lavagem do Bonfim é o segundo maior evento de rua de Salvador em quantidade de pessoas só perdendo para o Carnaval, uma vez que a festa religiosa e profana em louvor a Senhor do Bonfim (Oxalá, no candomblé) só acontece na segunda quinta-feira de cada ano (1 dia, portanto); enquanto o Carnaval são dez dias. 

2. Há uma diferença enorme em relação a esse fato levando-se ainda, em consideração que o Carnaval se efetiva em quatro circuitos – Barra a Ondina; Campo Grande a Praça Castro Alves; Pelourinho e Santo Antônio Além Carmo – e a Lavagem do Bonfim apenas num percurso de 7 km na cidade baixa, entre duas basílicas - a da Conceição da Praia e a do Bonfim.

3. A quantidade de pessoas na lavagem de hoje é impossível se saber. O melhor é situar em milhares de pessoas – baianos (90%) e turistas – nacionais 6% e estrangeiros 4%. Dos baianos, estima-se entre 70% a 80% residentes na capital e 30% a 20% do interior. É uma festa, portanto multicultural e racial com predominância da população negro-mestiça, que é a predominante na capital e RMS. 

4. A festa ainda tem seu lado religioso acentuado que acompanha o cortejo das baianas e autoridades, agora, também, com o andor do Senhor do Bonfim, o que não acontecia no passado, quando a imagem só voltava para o Bonfim, para a colina, no domingo. Criaram mais essa novidade.

5. O cortejo é musical em grande parte (80%), mas, não há um gênero musical predominante. Houve, hoje, de tudo: samba reggae tipo Olodum e Ilê, reggae no estilo jamaicano, samba de roda, samba de salão, samba estilizado, pagode, axé, afoxé e o samba duro de pequenos grupos. Destaques para o Olodum e Ilê com suas estruturas maiores.

6. Através do Carnaval Ouro Negro o Governo do Estado bancou 11 blocos: Confira a lista Afrodescendentes da Bahia; Bloco da Saudade; Ilê Aiyê; Ki Beleza; Leva Eu; Malê Debalê; Mangangá Capoeira; Mundo Negro; Olodum; Proibido Proibir; Samba & Folia.
Veja, pois, que a espontaneidade na festa é conversa fiada. Ela existe, mas, de maneira reduzida. Ou estado ou prefeitura ajuda e também empresas. Tinha cordeiros bancados pelo Pitu. Ví muitas outras marcas na festa.

7. Em ano eleitoral a parte politica teve relevância, mas, as declarações dos atores foram contidas todo mundo falando em paz e prosperidade. Lula, acá não veio. Jerônimo estava sem sua chapa puro sangue. ACM Neto andou com Bruno Reis e o convidado foi Caiado, governador de Goiás, pré-candidato a presidência pela UB que ninguém conhece em Salvador, salvo os políticos.

8. Os cordões dos puxa-sacos foram enormes, mas não falaremos deles porque é cada lorota que falam que não dá para escrever.  

9. Os destaques da festa são as figuras populares e teve de tudo, até alguns personagens como você na foto, que não sei que “bicho” é. Mas, abalou, abafou e foi abafado pelo calor. Muitos foliões usavam camisas com o escudo do Bahia e do Vitória e alguns deles com traje completo. Teve homem aranha, mulher maravilha, Silvio Santos, o poderoso Huck, trans de meias arrastão, baianas de todos os tipos – das tradicionais do acarajé às estilizadas.

10. Teve um ano, logo quando Jaques Wagner assumiu o governo da Bahia, em 2007, que ele levou uns passistas de escolas de samba do Rio de janeiro. Agradou, mas, também foi um fiasco. Nunca mais ele trouxe novos passistas. 

11. Vi um vaqueiro suando bicas puxando a estrutura de som de um vereador. E outro vereador, o Gordinho da Favela, foi um sucesso. Seus acompanhantes tinham tíquetes distribuídos previamente para receber a gelada (cerveja ou água) de graça. Não consegui um pra mim. Tive que comprar minha água e paguei R$3,00. 

12. Vi um bicicleteiro que parecia um ET. Muito legal. E um adepto de Bob Marley todo fantasiado usando também uma bicicleta. Pobre não usa bike. É bicicleta. Eu não levei a minha porque vendi. Também chupei um picolé R$3 reais. 

13. Muitos foliões tomaram banho de mangueira (mangueirão) de um carro pipa estacionado na praça da ACB, mas, fiquei com receio de pegar uma gripe e desiste do furdunço.

14. Teve uma hora que entrei na folia no carro de som puxado pelo vaqueiro, mas, a música era axé. Cansei logo e pulei fora. Também fiquei com medo que roubassem meu celular, mas, não roubaram. Na lavagem tinha muitos PMs por toda parte. A PM sempre presente. É retada. A Guarda Municipal também estava. Vi dois GMs no Elevador Lacerda e mais 2 GMs no Plano Gonçalves.

15. Os preços dos produtos no corredor do cortejo variavam muito, mas, o básico tava praticamente tabelado a água R$3,00 e a cerveja em lata R$5,00. Uma marca de melhor qualidade (da cerveja) 8 a 10 pilas. O coco verde mais barato que na Barra R$5,00 e o espetinho de carne entre R$10,00 e R$15,00 com uma rodela de cebola. Muita gente levou seu cooler e seu farnel.

16. Festa popular é assim mesmo, tudo se pechincha, se ajeita, se ajusta. Não fiz todo o percurso e não sei os preços na colina que são mais salgados. O que me disseram é que os taxistas estavam cobrando 150 pilas para uma corrida a Barra. Voltei do Mercado do Ouro e subi o Plano Inclinado de graça. Como sou “véi” nem peguei a fila quilométrica. Prioritário tem essas vantagens. Depois peguei o Uber que sempre pego com direito a tira-gosto de torresmo bem crocante e água gelada.

17. Então, em resumo, a Lavagem do Bonfim foi espetacular um ato de fé, religião e pré-carnaval. João Henrique dizia que isso não vale nada no plano eleitoral tanto que foi eleito prefeito de Salvador, duas vezes, e nunca subiu a colina sagrada. Pelegrino subiu várias vezes e nunca foi. Mas, na Bahia tem esse folclore.

18. ACM Neto confia nele e quer ser governador, em 2026, subindo a colina. E os votos? Bem, os votos, não sabemos. Está confiante. Jerônimo também está confiante e diz que 2026 será ano bom. Tá certo. Tá no poder e também tem o apoio de Lula.

19. Ia me esquecendo, mas ainda dá pra falar delas: as baianas do acarajé. Achei poucas neste 2026. Já foram muitos e mais arrumadas, mais engomadas e esbeltas. Paciência, os tempos mudam. 

20. Até 2027, se ainda estiver neste planeta.