Política

PAPA LAMENTA ASSASSINATO DE BISPO DE QUELIMANE, EM MOÇAMBIQUE, ÁFRICA

BISPO FOI ASSASSINADO a tiros
Tasso Franco , da redação em Salvador | 07/06/2026 às 12:36
Dom Osório foi assassinado a tiros
Foto: DIV

Por meio de uma mensagem divulgada no canal Telegram da Sala de Imprensa da Santa Sé, o Papa comunica ao mundo sua consternação pelo assassinato de dom Osório Citorra Afonso, bispo de Quelimane e administrador apostólico de Beira. O Pontífice une-se em oração ao povo da diocese e de toda a nação africana neste momento de desorientação.
Vatican News

“O Papa Leão XIV tomou conhecimento com pesar do grave ato de violência que causou a morte de Sua Excelência, dom Osório Citora Afonso, bispo de Quelimane e Administrador Apostólico de Beira, e une-se em oração ao povo da diocese e de Moçambique neste momento de desorientação, para que o Senhor lhes conceda consolo, para que guarde em seu amor cada homem e cada mulher e detenha a mão dos violentos”. Assim, através do canal Telegram da Sala de Imprensa da Santa Sé, o diretor Matteo Bruni transmitiu ao mundo a consternação do Pontífice, em viagem apostólica na Espanha, pelo assassinato do prelado encontrado morto neste sábado (06/06) nas instalações da residência episcopal de Quelimane.

Atingido no peito e no coração

Segundo informações divulgadas em uma coletiva de imprensa pelos responsáveis pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal, o bispo teria sido atingido por vários tiros disparados na região do peito e do coração, que não lhe deixaram nenhuma chance de sobrevivência. Ainda são desconhecidas as causas desse terrível crime, sobre as quais os investigadores estão começando a aprofundar.

A dor dos bispos

A dor pela trágica morte foi expressada, em nome de toda a Igreja local, também por dom Inácio Saúre, arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, que, em um comunicado oficial, fez um apelo, neste momento tão difícil, “à fé e à solidariedade fraterna”. Dom Citora Afonso, que atualmente ocupava o cargo de secretário-geral da Conferência Episcopal, foi também oficial do Dicastério para a Evangelização, Seção para a Primeira Evangelização e as novas Igrejas particulares, no período compreendido entre 2017 e 2023.

Os pêsames do presidente Chapo

Profunda dor e pesar foram expressados pelo presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, que quis destacar que “a morte do prelado representa uma perda irreparável não só para toda a comunidade cristã, mas também para toda a sociedade moçambicana”.

IMPRENSA DE MOÇAMBIQUE

A Igreja Católica celebrou, este domingo, a primeira missa sem a presença de Dom Osório Citorra Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane, assassinado na madrugada de sábado por indivíduos ainda não identificados. A cerimónia ficou marcada pela emoção, consternação e revolta dos fiéis, que lamentaram a perda de uma das figuras mais influentes da Igreja na província da Zambézia.

Durante a celebração, realizada na Sé Catedral de Quelimane, fiéis e religiosos rezaram pela alma do prelado e recordaram o legado que deixa à Igreja e à sociedade. Dom Osório era amplamente reconhecido pela sua humildade, proximidade com as comunidades e pelo compromisso com a promoção da paz e da convivência harmoniosa entre diferentes grupos religiosos.

Na homilia, o padre Manuel Damião destacou os valores que marcaram o ministério episcopal de Dom Osório, apelando à união, ao amor ao próximo e à dedicação ao trabalho. O sacerdote considerou que os frequentes casos de assassinato registados no país são um reflexo de uma profunda crise de valores na sociedade, defendendo a necessidade de uma reflexão colectiva sobre o futuro que se pretende construir.

O ambiente na catedral foi dominado pela dor e pela tristeza. Muitos fiéis manifestaram indignação perante o crime e exigiram que as autoridades esclareçam as circunstâncias do assassinato e responsabilizem os seus autores.

Entretanto, circula nas redes sociais um vídeo que mostra Dom Osório em diálogo com fiéis muçulmanos, defendendo a união entre os povos independentemente da religião. A mensagem, que volta agora a ganhar destaque, é apontada como um dos símbolos do seu percurso pastoral e do seu empenho na promoção da tolerância e do entendimento entre comunidades.

Até ao fecho desta edição, a Diocese de Quelimane ainda não havia anunciado as datas das exéquias fúnebres do bispo.