Política

PROTESTOS NO IRÃ: 650 MORTOS E 10.000 PRESOS PELO REGIME DE KHAMENEI

EUA podem atacar o Irã ainda na madrugada desta terça-feira segundo o WSJ
Tasso Franco , Salvador | 12/01/2026 às 17:25
Pilhas de jovens mortos no Irã pelo regime esquerdista
Foto: AFP
      Um iraniano será executado amanhã, apenas quatro dias após ter sido detido por participar de protestos antigovernamentais, segundo o periódico The Sun.

Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso no sábado em uma brutal repressão do regime instável, que já resultou na morte de mais de 640 manifestantes e na prisão de 10.000.

Acredita-se que ele tenha sido acusado de "travar guerra contra Deus", crime punível com pena de morte no Irã, após sua prisão na cidade de Fardis, perto de Teerã.

Seus apoiadores afirmam que ele não teve acesso a assistência jurídica e não teve a chance de se defender antes de ser condenado à morte por enforcamento.

De acordo com ativistas, ele só pôde ver sua família por dez minutos ontem para se despedir.

A União Nacional para a Democracia no Irã declarou: "Ele foi impedido de ter um advogado. O único crime de Erfan foi clamar por liberdade."Sua execução será a primeira de um manifestante desde o início dos protestos no final do ano passado.

Teerã está acelerando os julgamentos para poder executar os "líderes dos distúrbios" condenados.

Donald Trump, um dos maiores inimigos do Irã, respondeu à repressão violenta contra os protestos civis ameaçando usar a força militar contra Teerã para restaurar a paz.

O presidente americano pode decidir atacar o Irã ainda hoje, apesar de Teerã ter solicitado uma reunião por telefone no fim de semana.O Irã respondeu prometendo atacar instalações militares e comerciais americanas caso Washington as atacasse primeiro.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, acrescentou: “A República Islâmica do Irã não busca a guerra, mas está totalmente preparada para ela”.

Tal ataque seria recebido com uma resposta esmagadora, alertou Trump.

Ele disse: “Vamos atacá-los em níveis nunca antes vistos”.

“Os líderes do Irã querem negociar. Acho que estão cansados ​​de serem derrotados pelos Estados Unidos”.

O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, publicou uma charge de uma estátua de Trump em ruínas no X e disse: “Ele também será deposto”.

MORTOS

Os protestos contra o governo no Irã já deixaram 648 mortos e mais de 10 mil presos.

No último domingo (11), a agência de notícias alemã Deutsche Welle fez um vídeo registrando imagens que mostram dezenas de corpos na frente de um necrotério na capital, Teerã.

Segundo a ONG Human Rights Activists News Agency, opositora ao regime dos aiatolás e que opera a partir dos EUA, os mortos incluem centenas de manifestantes e algumas dezenas de membros das forças de segurança.

Os protestos, motivados pela má situação econômica do país, ocorrem em centenas de cidades do Irã.  Para tentar conter a situação, o regime aiatolá cortou o acesso à internet e ao telefone.

MINISTRO DO IRÃ - nyt

O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou na segunda-feira que seu país está preparado para a guerra, mas também pronto para negociar, após o presidente Trump ter alertado que os Estados Unidos poderiam intervir para conter a repressão cada vez mais violenta do governo contra os protestos da oposição.

“Não estamos buscando a guerra, mas estamos preparados para ela — ainda mais preparados do que na guerra anterior”, disse Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores, em uma conferência de embaixadores estrangeiros na capital, Teerã, transmitida pela televisão estatal. Ele parecia estar se referindo à guerra de 12 dias com Israel em junho passado, na qual os Estados Unidos se envolveram para bombardear as instalações nucleares iranianas.

“Também estamos prontos para negociações, mas negociações justas, com igualdade de direitos e respeito mútuo”, acrescentou.

O Irã também afirmou na segunda-feira que os canais de comunicação entre Araghchi e Steve Witkoff, enviado especial de Trump para o Oriente Médio, estavam abertos.